As vendas no comércio eletrônico superaram as expectativas do setor e chegaram a R$ 35,8 bilhões em 2014, segundo balanço divulgado ontem pela empresa especializada em informações do comércio eletrônico E-bit. Com o resultado, o e-commerce obteve crescimento de 24% sobre o faturamento de 2013. A estimativa de crescimento para 2014, até novembro do ano passado, era de 20%.
Segundo o diretor executivo da E-bit, Pedro Guasti, dois grandes eventos contribuíram para o crescimento do comércio eletrônico em 2014: a Copa do Mundo e a Black Friday. "Todos os anos de Copa do Mundo assistimos a um incremento nas vendas de TV." De acordo com ele, as vendas de televisores aumentam o ticket médio e elevam o faturamento das lojas de e-commerce. A Black Friday, por sua vez, bateu recordes de faturamento. "A Black Friday ficou maior este ano – 56% maior que em 2013 – e atingiu R$ 1,16 bilhão em cinco dias de venda."
Além destes dois eventos, a entrada de novos consumidores no comércio eletrônico brasileiro colaborou para o incremento nas vendas em 2014, acrescenta Guasti. "Principalmente de pessoas que começaram a usar dispositivos móveis." Segundo o diretor executivo da E-bit, os smartphones e tablets vêm contribuindo para a incursão dos consumidores às compras on-line.
Para Ney Queiroz, professor de Marketing Digital do Isae/FGV em Curitiba, dois fatores contribuem para o crescimento do e-commerce no Brasil. O primeiro deles é a crescente confiança do consumidor no comércio eletrônico. "Existia uma restrição, um medo de fazer transações no meio digital. Mas a confiança no comércio eletrônico está aumentando até pela maior segurança que está sendo oferecida pelos grandes portais."
Outro fator que colabora para o crescimento do e-commerce, na opinião de Queiroz, são os aplicativos móveis que permitem fazer compras on-line. "O comércio eletrônico através de celulares tem crescido e as lojas têm se adaptado para isso."
Por mais que a Copa do Mundo não tenha surtido os resultados esperados e o segundo semestre ter sido de retração, o ShopFato, de Londrina, apresentou crescimento de 37,8% em relação a 2013, diz o gerente, Fábio Donadon. "Estamos mantendo o crescimento principalmente pela conquista dos novos clientes."
Em 2015, Donadon diz esperar manter o crescimento acima dos 30% devido a novos objetivos que pretende alcançar, como o fortalecimento do ShopFato como marketplace em parceria com outros e-commerces e a integração e melhoria dos serviços de entrega de alimentos e perecíveis do site Supermuffato.com. "O ano de 2015 será bem mais desafiador que 2014."
Este ano, o comércio eletrônico poderá sofrer os impactos do cenário econômico no Brasil, e "fazer com que o e-commerce não cresça tanto quanto em 2014", diz o professor do Isae/FGV. "Mas os números serão positivos e vão acompanhar o movimento do mercado", completa. Também na visão de Guasti, da E-bit mesmo que a perspectiva econômica para 2015 não seja das melhores, o e-commerce continuará crescendo. "Em situações de aperto econômico, a internet pode ser aliada na pesquisa de preços." Para este ano, a previsão da E-bit é que o comércio eletrônico cresça 20% em relação a 2014.

Imagem ilustrativa da imagem Vendas do comércio eletrônico cresceram 24% no ano passado
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