Curitiba Este é pior ano de vendas no comércio dos últimos dez anos em Curitiba e Região Metropolitana. No acumulado de janeiro a maio deste ano, as vendas caíram 5,84% em relação ao mesmo período do ano passado. Só no mês de maio, houve uma pequena alta nas vendas por causa da comemoração do Dia das Mães. Em maio, o comércio vendeu 3,44% a mais em relação ao mês de abril. Não fosse isso, a queda nas vendas seria bem maior este ano, disse o professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e consultor da Federação do Comércio do Paraná, Vamberto Santana.
O emprego e a renda no comércio refletem os efeitos da queda nas vendas. De acordo com a pesquisa da Federação do Comércio, o emprego no comércio caiu quase 4% no período janeiro a maio e a renda entre os comerciários caiu quase 10%. Muitos comerciantes conseguem sobreviver à crise fazendo liquidações de seus estoques em fim de estação climática.
Para Santana, o elevado número de lojas comerciais fechadas é de empresários mal preparados que não conseguem sobreviver ao período de crise, situação que os comerciantes tradicionais já aprenderam a driblar, com ''tantas altas e baixas nos últimos anos''.
O professor Santana compara a situação atual ao período que antecedeu o Plano Real, quando Itamar Franco assumiu a presidência e o País vivia uma crise econômica e política. ''Foi um período de transição e o comércio não vendia nada'', lembrou. Para o professor, este ano as pessoas estão sendo mais afetadas por problemas conjunturais como desemprego, preços em alta, juros altos e renda em baixa. A pesquisa do comércio, feita em maio, revela que o consumidor simplesmente deixou de comprar ou comprou produtos alternativos, de menor valor.
Para Santana, essa situação pode ser revertida no segundo semestre. Ele acredita que a situação política está mais estável, fator que cria condições para o investimento. ''Todo o receio que o empresariado tinha em relação ao novo governo já passou e esse fator pode estimular a economia'', acredita. Santana disse que a reativação nas vendas deve começar a partir da venda de produtos básicos como alimentos, vestuário, calçados e remédios.
A preocupação no momento é como reativar as vendas nas concessionárias de veículos e de produtos eletroeletrônicos e eletrodomésticos. São itens mais caros que o consumidor fica adiando em função da renda comprimida, disse Santana. Segundo ele, até consertos de veículos estão sendo adiados. Por conta disso, as indústrias estão em compasso de espera e trabalhando com ociosidade como é o caso das montadoras, que estão trabalhando com 50% da capacidade.
Santana salientou que as compras sinalizam as expectativas do comércio em relação ao futuro. A pesquisa feita pelo comércio aponta que os setores que mais compraram no período janeiro a maio deste ano foram combustíveis e calçados. Os que menos compraram foram vestuário, autopeças e acessórios.

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