Vendas do comércio cresceram em janeiro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de fevereiro de 1997
Karen Debértolis Especial para a Folha 
Arquivo FolhaArtifícioPara Mologni, outro fator foi a antecipação das compras, na tentativa de se driblar o desconto da CPMFOs londrinenses compraram mais em janeiro, motivados pela estabilização dos preços e também porque utilizaram muito o cheque pré-datado. O volume dessa alternativa pode ser medido pelas solicitações de informações ao sistema Protecheque, da Associação Comercial e Industrial (Acil), que cresceram, em janeiro, 56,5% com relação a janeiro de 96. Somente neste início de ano foram feitas 27.065 consultas ao sistema.
Para o economista Ismael Mologni, professor da UEL (Universidade Estadual de Londrina), o consumo realmente cresceu em função das perspectivas de uma boa safra agrícola na região. Ele observa, também, que outro fator foi a expectativa da introdução da cobrança da CPMF. As pessoas preferiram retirar o dinheiro do banco, tentando escapar da contribuição. Com isso, acredito que as compras puderam ser antecipadas em pelo menos 60 dias, analisa. A maior procura, segundo Mologni, foi por eletrodomésticos.
De acordo com o economista, em janeiro as compras a prazo aumentaram 50% em relação ao mesmo período do ano passado. Mologni afirma que o próprio comércio ajudou, pois incentivou as compras a prestações. Muitas vezes o preço de um produto à vista e a prazo é o mesmo, comenta.
Os comerciantes, segundo ele, estimulam a venda a prazo para ganhar nos juros das parcelas - porque o lucro da venda à vista é considerado pequeno. Mas esses juros, de 4% a 8% por mês, são altos se comparados com uma expectativa de inflação de 15% para este ano.
Para o economista Murilo Francisco Barella, do Dieese em Londrina, outro dado confirma o aumento das vendas em janeiro: o crescimento de 15,11% dos registros no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) da Acil, de débitos vencidos e não pagos. Em janeiro de 97 foram 4.204, contra 3.653 de janeiro de 96. Os pedidos de informações ao SPC também cresceram 15,11%. Foram 76.337 no mês, contra 87.872 de janeiro do ano passado.
Enquanto isso, o índice de quitação de débitos no comércio londrinense teve aumento de apenas 3,18% em relação a janeiro de 96. Barella acredita que as pessoas estão comprando mais do que podem e não estão atentas aos juros embutidos nos parcelamentos, que encarecem o compromisso. O economista aponta que no Brasil, atualmente, 44 pessoas a cada 100 não estão pagando suas contas.
PerfilOs números detalhados sobre o comportamento do comércio - e indústria - de Londrina, a partir deste mês, serão reunidos num trabalho que a Acil está realizando, através de um convênio com a Canadá Pesquisas e a Folha de Londrina. Mensalmente, dados sobre diferentes setores serão levantados, analisados e divulgados, segundo o diretor do departamento comercial da Acil, Júlio Louzada.
Segundo Louzada, este trabalho será útil e auxiliará os comerciantes. Também estaremos conversando com cada setor detectando suas expectativas e opiniões, diz o diretor.


