Curitiba As vendas no comércio paranaense apresentaram, em julho, aumento de 6,51% em relação a junho e de 3,15%, comparado ao mesmo mês de 2001. O desempenho do Paraná ficou acima da média nacional, que apresentou variações de 4,33% na comparação com junho e 1,82% em relação a julho do ano passado. O acréscimo nas vendas em julho, no entanto, ainda não conseguiu reverter a variação negativa acumulada no ano (-2,17) e nos últimos 12 meses (-1,79). Os dados fazem parte da pesquisa encomendada pelo Sindicato dos Empregados no Comércio de Curitiba e Região Metropolitana e foi divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
O resultado positivo em julho foi puxado pelo segmento de combustíveis e lubrificantes, que registrou aumento de 25,55% nas vendas em relação a julho de 2001. As vendas de artigos de uso pessoal também aumentaram, mas num patamar bem inferior (1,35%). Nos demais segmentos, as vendas cairam (móveis e eletrodomésticos (-2,01%); supermercados e hipermercados (-2,51%); tecidos, vestuário e calçados (-5,87%); e veículos, motos, partes e peças (-11,5%).
Para o economista do Dieese, Cid Cordeiro, o aumento nas vendas de combustíveis ''foi uma surpresa'', já que outros indicadores apontaram queda no consumo. ''É um dado enviezado (o aumento nas vendas comércio) pela alta performance dos combustíveis'', observou Cordeiro. Excluindo-se esse segmento, o comércio teria apresentado queda de 1,94% em julho em comparação com o mesmo mês de 2001.
Cordeiro avalia que a variação negativa em quase todos os segmentos do comércio é um reflexo da queda da renda e do desemprego. A queda seria ainda maior não fosse a entrada de dinheiro com o pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
O presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Curitiba e Região Metropolitana, Ariosvaldo Rocha, aposta numa recuperação no mês de agosto por conta das liquidações de inverno. Já setembro é um mês que o comércio, normalmente, registra queda nas vendas, retomando fôlego em outubro com as promoções do Dia das Crianças.
O momento mais esperado pelos comerciantes, sem dúvida, é o Natal. Cordeiro lembra que 2001 também foi um ano ruim para o comércio, mas as vendas em dezembro, segundo ele, foram muito boas. A expectativa é que essa mesma tendência se repita este ano, que conta ainda com uma variável a mais que pode influenciar as vendas: a eleição do novo presidente.
O emprego no comércio paranaense também aumentou em 0,54% em julho, somando variação positiva de 3,26% no acumulado do ano e de 6,05% nos últimos 12 meses.

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