O volume de vendas no comércio varejista nacional caiu em setembro pelo sexto mês consecutivo. O recuo foi de 1,91%, bem superior à queda de 0,22% de agosto, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O baixo desempenho das vendas de bens de consumo durável foi um dos principais responsáveis pela queda no índice nacional. Na prática, o consumidor evitou entrar em financiamentos e demonstrou insegurança quanto ao futuro da economia.
''Os bens de consumo duráveis foram afetados por uma conjuntura que inclui o aumento da taxa de juros, o avanço do dólar e o próprio desaquecimento da economia e seus efeitos. Somada a tudo isso, veio a crise internacional ligada ao terrorismo, em setembro, e as pessoas aumentaram o receio de entrar em compras financiadas'', disse o técnico Nilo Lopes de Macedo, técnico do Departamento de Comércio e Serviços do IBGE. Nos primeiros nove meses do ano, a queda chega a 1,29%.
Os principais responsáveis pela retração em setembro foram as atividades de móveis e eletrodomésticos, com queda de 6,03%, e o grupo chamado ''demais artigos de uso pessoal e doméstico'', com recuo de 9,3%.
Estes dois itens geraram um impacto negativo de 2,66 pontos porcentuais dentro da taxa global. Isoladamente, a atividade de veículos, motos, partes e peças apresentou retração de 17,52%.
Tiveram crescimento nos volumes de vendas o grupo hipermercado, supermercado, produtos alimentícios, bebida e fumo, com 1,45%; combustíveis e lubrificantes, com 0,46%; e tecidos, vestuário e calçados, com 0,26%. Apenas o movimento de hipermercados e supermercados cresceu 1,97%.
Em termos de receita nominal de vendas, o varejo apresentou variação positiva, como vinha ocorrendo nos meses anteriores. Sobre setembro do ano passado, houve crescimento de 2,06% e no acumulado de nove meses, de 4,96%.
O técnico do IBGE explica que a evolução das receitas nominais inclui a variação da inflação nos preços. Por isto, tem sido positiva, apesar da queda média no volume de vendas.
Do ponto de vista regional, houve queda no volume de vendas em 19 das 27 unidades da federação, em setembro. Na comparação com setembro do ano passado, São Paulo apresentou uma queda de volume de 3,16%. De janeiro a setembro, a redução chegou a 2,83%. Já no Rio, o varejo prosseguiu em crescimento, com variação positiva de 1,25% em setembro e 2,40% no ano.

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