Rio de Janeiro As vendas do comércio varejista caíram pelo 11º mês consecutivo, com recuo de 3,04% em outubro, ante igual período do ano passado. Um dos fatores que mais contribuíram para a nova queda foram os simultâneos desempenhos negativos em São Paulo (-3,85%) e Rio de Janeiro (-6,03%). Juntos, os dois Estados foram responsáveis por 80% do resultado.
As causas apresentadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que calcula o índice, não chegaram a surpreender: a retração na renda do trabalhador e os altos índices de desemprego, que impedem a recuperação real nas vendas do comércio. Em outubro, houve melhora apenas em setores relacionados a compras a prazo, como o de eletrodomésticos.
''O cenário do comércio continua negativo. Mas, em outubro, houve sinais de reversão a este movimento, com quedas menos intensas em alguns setores'', disse o economista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Nilo Lopes Macedo. Ele considera que o setor deve encerrar o ano ainda com redução nas vendas, mesmo com o reforço do Natal. De janeiro a outubro deste ano, o comércio já acumula queda de 4,96%.
''Para reverter este cenário, estes dois últimos meses teriam de ser excepcionais , coisa que, pela lógica, não parece que vai acontecer'', comentou o economista do IBGE. Em 12 meses até outubro, a retração no volume de vendas é de 4,56%.
Na análise sobre o comércio, o instituto não faz a comparação do mês com o mês anterior, pois a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), que tem três anos, ainda não desconta os efeitos sazonais característicos dos meses. Para isso é necessário um período de cinco anos.
Embora tenha ocorrido menor volume de vendas, a receita do setor subiu em outubro 11,72% ante igual mês do ano passado, sem descontar a inflação. Isso significa que os brasileiros estão comprando menos, mas gastando mais por causa da remarcação de preços. No acumulado do ano, a receita de vendas registra alta de 14,22%, e em 12 meses, de 13,59%.
Os setores que apresentaram resultados piores em outubro são aqueles cujo desempenho dependem diretamente do aumento do poder de compra do consumidor. Como exemplos, Macedo citou o grupo Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (-4,26% em outubro, -3,77% em setembro ante setembro de 2002) e Demais Artigos de Uso Pessoal (-4,1% em outubro, -1,83% em setembro ante setembro de 2002).
Por sua vez, o cenário de juros em queda, aliado a condições de pagamento mais favoráveis, fez com que segmentos vinculados a crédito apresentassem resultado ''menos pior'' no volume de vendas. É o caso de Tecidos, Vestuário e Calçados (-1,82% em outubro, e -3,31% em setembro ante setembro de 2002); Combustíveis e Lubrificantes (-4,33% em outubro, e -7,75% em setembro ante setembro de 2002) e Veículos, Motos e Partes (-3,76% em outubro, -4,02% em setembro ante setembro do ano passado).
No Paraná, segundo os dados do IBGE, as vendas no varejo em outubro foram 0,05% menor em comparação com setembro. No acumulado dos dez primeiros meses do ano, elas ficaram negativas em 0,57%; e no acumulado dos 12 meses -0,72%.

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