Rio de Janeiro – A queda contínua do rendimento do trabalhador e o desemprego ainda em taxas elevadas dificultam a recuperação do comércio. Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revela que as vendas do setor, em volume, caíram 1,21% em janeiro na comparação com o mesmo mês de 2001.
Segundo o IBGE, o ramo mais afetado foi o de supermercados e hipermercados, alimentos, fumo e bebidas – que abriga os produtos não-duráveis, sensíveis à queda do rendimento. Seu volume de vendas caiu 1,16%.
Por outro lado, o faturamento do comércio cresceu 4,79%. Segundo o IBGE, isso mostra que o varejo compensou o menor volume vendido com um aumento de preços. O mesmo ocorreu no caso dos supermercados e hipermercados, por isso, seu faturamento cresceu 8,6%.
Para o economista Nilo Lopes, do IBGE, a retração do comércio, principalmente dos bens semi e não-duráveis (alimentos, bebidas, roupas etc), é reflexo da menor remuneração do trabalhador.
A renda recuou em todos os 12 meses de 2001 e fechou o ano com uma retração de 3,9%, a segunda maior desde o início do Plano Real. Já o volume de vendas do comércio vem caindo desde novembro.
Também influenciado pelo menor rendimento, o segmento de artigos de uso pessoal e doméstico teve o volume de vendas reduzido em 1,26% em janeiro. ‘‘Esse ramo agrupa muitos produtos supérfluos, que são os primeiros a deixarem de ser comprados com a queda da renda.’’
A pesquisa traz um dado positivo: as vendas de móveis e eletrodomésticos subiram 1,03%, pela primeira vez desde maio, quando despontou a crise de energia. O faturamento desse segmento subiu 6,31%.
De acordo com Lopes, a recuperação ocorreu por causa da flexibilização do racionamento em dezembro, que animou os consumidores a comprarem eletrodomésticos. Também ajudou, diz o economista, a expectativa da redução dos juros, que aumentou a oferta de crédito.
Impulsionados pela redução de 25% do preço da gasolina nas refinarias em 1º de janeiro, os combustíveis e lubrificantes também reagiram. As vendas, em volume, cresceram 4,57%, puxadas pelo preço menor nas bombas.
O maior volume comercializado, porém, não foi suficiente para compensar o preço menor do produto vendido nos postos. Como resultado, a receita dos revendedores de combustível caiu 0,37% em janeiro.

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