Vendas do comércio caem 0,3% em julho no País
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terça-feira, 13 de setembro de 2016
Lucas Vettorazzo<br>Folhapress 

Rio de Janeiro - As vendas do comércio varejista no País recuaram 0,3% em julho em comparação com junho, divulgou ontem o IBGE. O resultado empatou o avanço de 0,3% verificado no mês anterior. Na comparação de julho deste ano com igual período de 2015, a queda foi de 5,3%, o pior resultado para o mês nessa base comparativa desde 2001. O País acumula 16 meses seguidos de queda na comparação anual.
"O consumo tem relação direta com a renda do trabalhador e com a taxa de juros, que são dois fatores que vêm inibindo uma melhora das vendas por causa da conjuntura econômica do País", disse a técnica do IBGE Isabella Nunes. No acumulado dos primeiros sete meses do ano, a queda foi ainda maior, de 6,7%. Já no período de 12 meses encerrados em julho, o recuo verificado foi de 6,8%.
"As vendas no varejo se situam em patamares semelhantes a 2012, mostrando que perdas ainda não foram recuperadas. Somente uma melhora na massa de salários do trabalhador, aumento de empregos e melhora nos juros podem ajudar o setor", explicou.
Seis das oito atividades pesquisadas pelo IBGE tiveram recuo na comparação mensal. Hipermercados, supermercados, bebidas e fumo tiveram queda de 0,3%, assim como combustíveis e lubrificantes, que respondem por 60% do indicador. Tecidos e artigos de vestuários tiveram queda de 5,6%.
Supermercados e móveis
As vendas de supermercados caíram em volume, mas subiram em receita - na comparação de julho com igual período do ano passado, a alta foi de 14,3%. Nunes explicou que o aumento decorre da inflação dos alimentos no período. Como o supermercado vende produtos básicos e de primeira necessidade, mesmo em período de aperto no orçamento das famílias há um consumo regular nesses locais. A alta nominal na receita, disse ela, se aproxima do índice de inflação dos alimentos no período.
Um exemplo de como a perda de renda afeta o consumo está no desempenho de móveis e eletrodomésticos, que, na comparação de junho com o mesmo período do ano passado, teve queda de 12,4%. "Os móveis e eletrodomésticos, que têm dinâmica ligada à renda do trabalhador, foram os que mais recuaram e refletem a piora do mercado de trabalho e o aumento da taxa de juros", disse Isabella Nunes.


