Curitiba - O mês de junho registrou a maior venda de veículos da história do País. Ao todo foram emplacados 300.174 automóveis, entre carros, caminhões e ônibus. O mesmo período de 2008 registrou 255.999 emplacamentos. O Paraná também atingiu recorde histórico, com um crescimento de mais de 8% nas vendas. No mês passado foram 23.099, contra 21.211 em junho do ano passado. As três cidades do Estado que mais participaram desse aumento foram Curitiba, com 44,2% das vendas, Londrina (6,8%) e Maringá (5,5%).
A redução do valor do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) repassada ao consumidor foi o principal responsável pela explosão de vendas. ''Antes da crise econômica a venda no atacado representava 66% e no varejo 34%. Hoje a venda para pessoas físicas representa 58%'', explica o presidente nacional da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérvio Reze.
Já a comercialização de motos diminuiu. O primeiro semestre do ano passado registrou a venda de 951.170 motos no Brasil. No mesmo período desse ano foram vendidos 765.756. No Paraná o número também caiu de 63.963 para 40.548. Reze acredita que a diminuição deve-se à falta de crédito liberada pelos bancos para a compra de motocicletas.
''A política financeira e o controle do Banco Central com respeito à inflação, como a diminuição do IPI, trouxeram mais condições para o Brasil enfrentar a crise. A previsão é que a venda de carros cresça 3,13% até o final do ano'', disse Reze. Ele avisou que o setor terá uma ligeira queda nas vendas neste mês, mas o desempenho do semestre devem se manter na média.
Segundo o presidente da Fenabrave, o Brasil tem uma frota de 50 milhões de veículos. Uma relação de quatro carros para cada habitante, a metade do que é registrado em países como o Japão e os Estados Unidos. Por isso ele acredita que a volta da cobrança do IPI, prevista para outubro deste ano, não irá afetar as vendas. Mas avisa que isso vai ocorrer em longo prazo.
O vice-presidente da Fenabrave, Gláucio José Geara, diz que a venda de automóveis no Paraná cresceu mais que a média nacional. Segundo ele, isso acontece por diversos fatores. ''A agricultura teve desenvolvimento satisfatório e três grandes montadoras estão no Estado (Renault, Volvo e Volkswagen). Se um segmento econômico é afetado pela crise, o outro compensa'', explica.
Mesmo com as recentes campanhas feitas em Curitiba, para que os usuários utilizem mais o transporte público como forma de não congestionar a cidade e evitar a poluição excessiva, Geara acredita que as vendas não serão afetadas. ''O curitibano não é cordial em dar carona. Muitas vezes vizinhos vão para o mesmo lado mas cada um no seu carro. Ter um veículo não é mais um bem de luxo, e sim uma necessidade'', avalia.

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