Vendas de tratores caem 18,7%
Guto Rocha
De Londrina
A alta do custo de produção na agricultura por conta da elevação do dólar a partir de janeiro e os baixos preços das commodities no mercado mundial refletiram negativamente no mercado de máquinas agrícolas no Brasil. Segundo o vice-presidente da Divisão de Máquinas Agrícolas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Pérsio Pastri, as vendas no mês de setembro atingiram 2,69 mil unidades de máquinas agrícolas (tratores, colheitadeiras e equipamentos automotrizes), o que significa uma queda de 18,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram comercializadas 2,545 mil unidades. Uma queda expressiva para o setor, comentou Pastri.
Pastri observou que no primeiro timestre deste ano as vendas do setor começaram a reagir por causa das mudanças do câmbio. Ele disse que num primeiro momento, os agricultores se sentiram favorecidos com a desvalorização do real frente ao dólar, e passaram a investir na mecanização. Tanto é que no primeiro trimestre de 99 as vendas somaram 5,89 mil unidades, com um crescimento de 16% sobre as 5,39 mil unidades vendidas no mesmo período de 98.
Mas daí em diante, os agricultores perceberam que a alta do dólar encareceu seus insumos, e a renda líquida do setor foi prejudicada, disse Pastri. Com isso, as vendas de máquinas voltaram esfriar. No segundo semestre deste ano as vendas foram apenas 0,6% maiores, passando de 7,12 mil unidades no ano passado para 7,166 mil máquinas no segundo trimestre deste ano. Já no terceiro trimestre, as vendas despencaram 14,9%, ficando em 6.472 unidades, contra 7,605 unidades no mesmo período do ano passado.
Pastri estima que o setor feche o ano com a venda de 23 mil unidades. No ano passado foram vendidas 24.158 unidades, e em 97, 21.029 máquinas. Isso mostra que o produtor sabe que precisa comprar mas está sem fôlego para investir, disse. Pastri afirmou que para o país manter o rodízio de equipamento que evitaria a obsolescência do parque de máquinas seria necessário a comercialização de 43 mil unidades/ano. O mercado externo também reduziu suas aquisições.





