São Paulo - As vendas reais do setor supermercadista registraram queda de 3,84% em abril em relação ao mesmo mês de 2012, de acordo com o Índice Nacional de Vendas da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Na comparação com março deste ano o indicador caiu 14,06%. No quadrimestre o setor teve alta de 1,65% em relação a igual período de 2012. Esses índices já foram deflacionados pelo IPCA, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
Em valores nominais, o índice de vendas da Abras apresentou queda de 13,58% em abril na comparação com março. Em relação a abril de 2012 foi uma alta de 2,44%. O acumulado nominal do ano aponta alta de 8,19%.
Quando considerado o volume de produtos no quadrimestre, os supermercados também registram recuo em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com levantamento da Abras em parceria com a Nielsen, de 1,8%.
De acordo com Fabio Gomes, gerente da Nielsen, a queda reflete uma maior preocupação dos consumidores com relação ao aumento dos preços e também a mudança de hábito dos brasileiros, que têm optado por praticidade buscando alimentos prontos ou itens de maior valor agregado.
Segundo Gomes, algumas categorias também estão mostrando uma estabilização após forte crescimento nos últimos anos, como carnes congeladas e bebidas. "Ainda não notamos isso, mas em algum momento o consumidor pode procurar marcas mais econômicas para manter o status de compras. Num primeiro momento, o consumidor está apenas contendo a quantidade para compensar os gastos", afirma.
O levantamento aponta que o volume de bebidas alcoólicas registrou queda de 5,6% no intervalo, bebidas não alcoólicas cederam 1,7% e perecíveis baixaram 2,5%, enquanto limpeza caseira subiu 3,2%.
Para o vice-presidente da Abras, João Sanzovo Neto, a queda no volume de vendas sinaliza que os consumidores acenderam uma sinal de alerta. "Acendeu uma luz amarela. Aquele consumidor que tomava meia dúzia de latinhas de cerveja por noite, por exemplo, está tomando um pouco menos para conter os gastos."

Reflexo da economia
Sanzovo destaca que o resultado reflete o comportamento da economia como um todo. "O setor de supermercados não é uma ilha. Ele está dentro de um contexto de desaceleração da economia. O Brasil também faz parte de um contexto internacional e boa parte dessa pressão veio da demanda no exterior, especialmente o consumo chinês que puxou os preços das commodities", observa.
No entanto, segundo ele, a entidade ainda não prevê uma revisão da meta de crescimento, que foi mantida em 3,5% para 2013 em relação ao ano passado. "Vamos começar a andar com crescimento de 2%, na média, mas mantemos a meta de avançar 3,5%. Esperamos que no segundo semestre os brasileiros tenham uma folga nas contas, o que deve ajudar a retomar o ritmo", disse.

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