Vendas de supermercados caem 3,94% em setembro
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quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
As vendas reais dos supermercados diminuíram 3,94% em setembro na comparação com agosto, o que confirma a tendência de queda até mesmo em um setor tido como de primeira necessidade, segundo o Índice Nacional de Vendas da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) divulgado ontem. A redução da renda familiar devido à inflação e ao aumento do desemprego são as principais causas e levam o consumidor a colocar menos produtos no carrinho ou a trocar as marcas tradicionais pelas mais baratas.
No comparativo com setembro de 2014, a queda foi de 3,11%. No acumulado desde janeiro, a redução já é de 0,96%, sempre em números reais, que foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sem considerar a alta de preços para o período, houve aumento nas vendas nominais de 6,09% sobre o mesmo mês do ano passado e de 7,50% em relação aos primeiros nove meses de 2014.
O presidente do Conselho Consultivo da Abras, Sussumu Honda, afirma em nota que a retração já era esperada diante do momento econômico difícil pelo qual passa o País, com aumento da taxa de desemprego e da inflação. "O setor trabalha com projeções negativas para o fechamento de 2015, mesmo com um movimento maior esperado no fim do ano devido às tradicionais festas de Natal e Réveillon, mas seguimos trabalhando para não perder oportunidades e conquistar cada vez mais consumidores", diz Honda.
Diretor executivo do Instituto Datacenso em Curitiba e especialista em comércio, Claudio Shimoyama considera que, principalmente as classes C e D, as mais populosas, tiveram o poder aquisitivo afetado pelo desemprego e pela inflação. Porém, lembra que uma queda próxima de 1% não pode ser considerada ruim diante do cenário atual, em que outros segmentos varejistas chegam a anunciar retração de 7%. "As pessoas não deixam de beber ou comer, mas trocam as marcas mais conhecidas por outras com a mesma função e preço menor, por exemplo", explica.
Ao observar a queda mensal no índice, Shimoyama afirma que as vendas para as festas de fim de ano não tenham força para recuperação no setor. "Temos de ser realistas. Este deve ser um dos piores natais dos últimos anos, com um consumo mais consciente e tíquetes de menores valores para os presentes", diz.
O diretor do Grupo Muffato, Everton Muffato, vê o ano de 2015 como mais difícil para as vendas. "A crise diminuiu o poder de consumo dos brasileiros e isso causa instabilidade nas vendas, principalmente nos departamentos de bens duráveis, como eletroeletrônicos. Por outro lado, em outras categorias, sentimos que o consumo nos lares aumentou, o que também gerou um crescimento nas vendas."
Para evitar perda nas vendas, o diretor da rede lembra que foi preciso mudar a estratégia. "Fizemos uma adequação no mix de produtos, no formato das ofertas, gerando descontos maiores para os clientes que compram maiores quantidades, e também atentamos para o tamanho das embalagens dos produtos, analisando o melhor custo benefício para os clientes", diz, ao lembrar que a marca investiu em três novas unidades, que serão inauguradas até o fim do ano, e que espera fechar com estabilidade ante 2014.
Em setembro, a cesta de produtos Abrasmercado, pesquisada pela GfK e analisada pelo Departamento de Economia e Pesquisa da Abras, registrou alta de 0,84% no País, ao passar de R$ 411,77 em agosto para R$ 415,25 em setembro. No Sul, a variação foi de 0,83%, ao passar de R$ 448,26 para R$ 452,00. As maiores altas foram em produtos como farinha de mandioca (28,81%) e sal (17,60%), com as maiores reduções na cebola (-23,61%) e no tomate (-16,92%).


