A comercialização de sementes de trigo está paralisada em algumas regiões do Paraná no início da safra de inverno. Segundo o diretor-executivo da Associação dos Produtores de Sementes e Mudas do Paraná, Eugênio Bohatch, os produtores da região Oeste e Sudeste ainda não iniciaram as comprasdo insumo. Ele acredita que este ano muitos produtores vão optar pelo milho safrinha.
Segundo o diretor da Apasem, os produtores da região Sudoeste ainda não encerraram a colheita da soja, o que pode aquecer as vendas de sementes de trigo a partir de maio. ‘‘O período indicado para o plantio do milho safrinha está no final e os produtores não terão outra alternativa a não ser o trigo’’, analisa.
O técnico do Deral, Otmar Hubner, disse que o produtor de trigo este ano ‘‘está desanimado’’ com o produto. ‘‘A área ocupada com o trigo poderá ser menor do que o previsto inicialmente. Os produtores estão reclamando da falta de crédito para a implantação da lavoura’’, comentou Hubner.
No entanto, o técnico observou que o auge do plantio de trigo no Paraná ocorre em maio. Segundo ele, até agora o Paraná semeou 6% da área. ‘‘Ainda estamos dentro da média’’, comentou. A primeira estimativa aponta o cultivo de 874 mil hectares (ha) de trigo, uma queda de 3% em relação ao ano passado quando o cereal ocupou uma área de 898 mil ha. A produção estimada para esta safra é de 1,9 milhão de toneladas, contra os 1,5 milhão de toneladas colhidos no ano passado. ‘‘Apesar da área maior, a produção do ano passado foi prejudica pelo clima que provocou quebra na safra’’, observou.
Segundo o gerente do Núcleo de Negócios Rurais do Banco do Brasil no Paraná, Josemar Horst, a dificuldade em atender a demanda por financiamento está sendo provocada pela falta de pagamento dos custeios da safra passada por parte dos produtores. ‘‘A aplicação de recursos para este ano depende do retorno do custeio do ano passado. É uma conta de mais e menos’’, comentou. Segundo ele, o BB já disponibilizou para a safra de inverno entre março e abril R$ 21,5 milhões.

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