O consenso no mercado é que a safra de verão de milho será maior e que o plantio está adiantado em algumas regiões do Brasil. Um indicador do tamanho da próxima safra são as vendas de sementes de milho, embora dados oficiais devam ser divulgados em meados de setembro pela Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem). A expectativa do mercado é que as vendas de sementes de milho fiquem 15% acima da safra passada.
‘‘Houve aumento na demanda por sementes de milho, mas os dados ainda não foram fechados’’, afirmou o secretário executivo da Associação Paulista dos Produtores de Sementes e Mudas (APPS) Cassio Camargo.
Nas duas safras de 99/2000, as vendas de sementes de milho totalizaram 177.600 toneladas, sendo 137.871 toneladas para safra de verão e 39.729 toneladas para safrinha, mostram dados da Abrasem. ‘‘Na safra 99/2000, as vendas de sementes de milho cresceram 12,5% em relação ao ano anterior. Para 2000/01, as expectativas são boas’’, afirmou Camargo. A associação considera as vendas de sementes entre 1º de maio e 31 de dezembro para safra de verão e entre 1º de janeiro até 31 de abril para safrinha.
Na opinião de Camargo, a tendência natural é de aumento da área plantada de milho, pois os produtores levam em conta os preços atuais, que estão em alta, e não os futuros, que sinalizam queda na entrada da safra. Depois das geadas que atingiram as lavouras no final de julho, provocando quebra na safrinha, os preços do milho grão subiram no mercado interno.
No Paraná, a expectativa é que o plantio de milho avance a partir do próximo mês, quando outras áreas do Estado entrarão no programa de zoneamento da Secretaria de Agricultura. ‘‘Até agora, só começou o plantio no oeste e no norte do Paranᒒ, afirmou o economista da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra. Na semana passada, o Departamento de Economia Rural (Deral) estimou aumento de 14,9% na área plantada com milho na safra de verão.
O diretor executivo da Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas, Eugênio Bohatch, disse que a produtividade e a produção vão depender de fatores externos, como clima e ataques de pragas.
Alta do grão As altas registradas no milho grão seguiram para o preço das sementes. ‘‘As sementes valorizaram-se na mesma proporção dos grãos’’, afirmou o engenheiro agrônomo da Cooperativa Mista dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), Welinton Xavier dos Santos. Dados da cooperativa mostram que a saca de 20 quilos (60 mil sementes) está sendo comercializada entre R$ 50 e R$ 125 em Goiás, de acordo com a variedade dos híbridos. Nessa mesma época do ano passado, a saca de 20 quilos de sementes era negociada entre R$ 35 e R$ 80.
A mesma valorização aconteceu em Mato Grosso do Sul. O gerente comercial das Sementes Bonamigo, de Campo Grande (MS), Alceu Carpenedo, afirmou que a saca de 20 quilos do insumo foi negociada a R$ 16 em 1999. Neste ano, a saca de semente está sendo negociada a R$ 21. ‘‘Há boa demanda de compra, além de Mato Grosso do Sul, vendemos para Goiás, Rondônia, Paraná, Rio Grande do Sul e Maranhão’’, disse Carpenedo.
As estimativas da Bonamigo são que 50% das sementes disponíveis na revendas tenham sido vendidas. A empresa recebeu, neste ano, 15 mil sacas de 20 quilos de sementes para comercialização, ante 25 mil sacas nos anos anterior. ‘‘A estiagem reduziu a produção’’, afirmou Carpenedo.
Na Comigo, foram disponibilizadas 20 mil sacas de 20 quilos, acima das 12 mil sacas de 1999. Estima-se que 65% a 70% desse total já tenha sido comercializado.

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