Vendas de Natal surpreendem governo
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quarta-feira, 24 de dezembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaMenos malBarros: Comércio não vai virar o ano tão estocado. A queda na demanda por reposição é que preocupava O governo está surpreso com o desempenho das vendas de Natal. Sou um otimista, mas confesso que fiquei surpreso com o volume, a intensidade e a generalidade do movimento, disse ontem o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros. Este Natal poderá ser tão bom quanto o do ano passado e, dependendo do setor, até melhor.
Com isso, o comércio vai virar o ano com estoques pequenos e antecipará as encomendas à indústria. O secretário Mendonça de Barros acredita que a retração da economia em 1998 deverá ser menor do que a esperada. Com relação ao nível de atividade, podemos ter uma surpresa tão boa quanto a do Natal, disse.
Segundo Mendonça de Barros, houve um aumento no volume de produtos vendidos, embora o preço médio deles esteja menor. O que está havendo é um efeito escadinha, comentou. Esse efeito, decorrente da crise e da elevação das taxas de juros, faz com que as pessoas adquiram produtos de valor menor do que os comprados no ano passado. Dessa forma, embora o movimento esteja grande, o faturamento do comércio deverá ser pouco menor do que o de 96.
Quem ganha é o setor de venda de produtos tipicamente natalinos, como alimentos, discos, brinquedos. Nesses segmentos, o Natal poderá ser até melhor do que o de 96, afirmou Barros.
Outra cararacterística do Natal deste ano é o aumento das vendas a vista. Segundo Mendonça de Barros, hoje cerca de 40% a 45% dos produtos são vendidos a vista, com desconto sobre o preço de venda a prazo. É uma coisa salutar e absolutamente lógica, disse. Dessa forma, fica afastado o risco de as vendas do Natal provocarem uma elevação dos índices de inadimplência.
A melhor notícia, na avaliação do secretário, é que as vendas permitirão ao comércio virar o ano com estoques baixos e as indústrias terão encomendas logo no início de 98. A queda na demanda por reposição era o que realmente nos preocupava, disse Mendonça de Barros. Será um primeiro semestre mais fraco do que seria se não houvesse a crise, mas não será o desastre que alguns estavam prevendo.
O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que o consumidor foi o vitorioso neste fim de ano. A avaliação foi feita durante o programa de rádio Palavra do Presidente. Quem saiu ganhando foi o consumidor que pode comprar os presentes de Natal sem susto, disse, depois de admitir que a combinação de juros altos com estoques elevados é muito penosa. Há cerca de um mês, o presidente, neste mesmo programa, pregou um freio no consumo a prazo por causa dos juros altos. Agora mudou de discurso. E diz que a preocupação com o início do ano que vem não é tão grave quanto previram alguns economistas. As taxas de juros já começaram a cair, justificou.


