Vendas de Natal suavizam recessão no início de 98
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quinta-feira, 08 de janeiro de 1998
Agência Estado São Paulo 
Arquivo FolhaReposição movimenta indústriasAs vendas no Natal, que foram bem superiores às expectativas, não vão alterar a perspectiva de uma economia em recessão neste primeiro semestre, mas já produziu um aspecto positivo: vão suavizar, em parte, o impacto social dessa trajetória de queda. Esta é a avaliação compartilhada por economistas que concordam também que o cenário econômico para o ano de 1998 é de uma economia praticamente estagnada.
A primeira consequência das vendas será a recomposição dos estoques do comércio, mesmo que em níveis muito baixos, já que a expectativa de vendas, para este primeiro trimestre, é a pior possível. As encomendas serão feitas antes do que o esperado, o que manterá a atividade industrial, evitando demissões imediatas. Algumas fábricas, de produtos mais baratos, já suspenderam férias coletivas.
O impacto social desse movimento é enorme. Dá um alívio não começar o ano com queda geral de vendas, inadimplência e desemprego, analisa Carlos Kawall, analista econômico do Citibank. Isso porque, daqui a dois ou três meses, as taxas de juros poderão estar mais baixas, o que será um estímulo à retomada do consumo e da produção.
Bolha de consumo O movimento do comércio no Natal foi o de uma típica bolha de consumo, disse Antônio Corrêa de Lacerda, do Conselho Federal de Economia. Segundo ele, o comércio fez um esforço brutal para vender neste final de ano, aproveitando a época de festas, mas os produtos mais vendidos foram os de consumo popular - os mais baratos.
O economista do Lloyds Bank, José Mauro Delella, concorda com essa leitura sem entusiasmo das vendas de Natal. As vendas foram muito boas para quem tinha uma expectativa exageradamente negativa, disse. Nossa expectativa é de que a economia cresça apenas 1,3% em 98 e isso se concentrará no segundo semestre, disse Delella. No primeiro semestre, a projeção do Lloyds é de crescimento zero do Produto Interno Bruto.
A recomposição de estoques será feita, mas de uma forma muito cautelosa por dois motivos. Primeiro, porque qualquer erro nas compras poderá comprometer a saúde financeira tanto do comerciante quanto do empresário. Em segundo lugar, porque o alto nível de inadimplência poderá pular da faixa do consumidor para o do empresário. Isso manterá um primeiro trimestre em ritmo lente, afirmou Lacerda. Na verdade, chegamos ao final da festa. O consumidor aproveitou suas sobras de caixa para as compras de Natal.


