Vendas de Natal devem ter queda de 4,1% no País
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de outubro de 2015
Andréa Bertoldi <br>Reportagem Local 
As vendas de Natal também devem ser afetadas pela conjuntura econômica do País. Levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê que o Natal deste ano deverá registrar a primeira queda nas vendas desde 2004. A expectativa de movimentação financeira é de R$ 32,2 bilhões, o que representará uma queda de 4,1% em relação ao ano passado.
O segmento de móveis e eletrodomésticos será um dos mais afetados, reflexo da significativa desvalorização cambial, da inflação elevada e sobretudo pelo encarecimento do crédito. A previsão da CNC é que o setor apresente uma das maiores retrações em relação a 2014, com queda de 16,3% nas vendas.
O diretor de planejamento e gestão da Fecomércio-PR, Rodrigo Rosalem, explicou que a retração prevista para as vendas tem relação com o cenário de instabilidade política e econômica, da inflação provocada principalmente pelo aumento do preço da energia elétrica, pela elevação do dólar e pelo aumento dos juros e da maior restrição na concessão de crédito. Segundo ele, as vendas mais prejudicadas serão de bens de maior valor como veículos, móveis e eletrodomésticos. "Farmácia e supermercados resistem mais tempo para ter queda de vendas", avaliou.
Ele frisou que este Natal deve ser de presentes de menor valor. E a tendência é que as pessoas esperem o pagamento do 13º salário e o pagamento das férias para quitar dívidas e fazer novas compras.
Rosalem prevê que o comércio do Paraná siga a mesma tendência de queda de vendas apontada no cenário nacional. No entanto, ele acredita que a redução seja ainda maior no Estado porque o paranaense tem uma das maiores médias de endividamento (88%) do País e também possui mais consciência de planejamento orçamentário, o que deve torná-lo mais cauteloso no final do ano.
Em Curitiba, uma pesquisa realizada pela Associação Comercial do Paraná (ACP) em conjunto com o Instituto Datacenso também apontou um cenário pessimista para o final do ano. Segundo o economista do Datacenso, Cláudio Shimoyama, a conjuntura econômica adversa, os elevados índices de inadimplência e a cautela dos consumidores são as causas principais da expectativa de queda do volume de vendas do comércio curitibano no Natal de 2015. A previsão de retração é de 3%.
A pesquisa ouviu 200 comerciantes e 200 consumidores no final de setembro. Dos lojistas entrevistados, 38% acreditam em vendas inferiores em relação a 2014, 26% apostam em crescimento e 36% preveem vendas iguais às do ano passado.
Entre os consumidores, 45% disseram que vão gastar menos dinheiro com presentes de Natal, 24% devem gastar mais, 18% dizem que terão gastos iguais aos de 2014 e 13% não souberam responder.
Shimoyama disse que todas as datas comemorativas deste ano já apresentaram desempenho negativo. "Vai ser o Natal do presentinho, da lembrancinha", prevê. Ele acredita que os produtos mais procurados serão vestuário, calçados, livros e chocolates que não passem dos R$ 100. Para o Dia das Crianças, na próxima segunda, a projeção é de uma queda real nas vendas de 14% e com valor médio de presente de R$ 42,50 ou 50% menor que em 2014.


