Curitiba O brasileiro está trocando o automóvel pela motocicleta. Em outubro, as vendas de motos registraram recorde histórico: 80 mil, um crescimento de 28,7% em relação ao mês anterior. As vendas de automóveis leves atingiram 133 mil unidades em outubro, impulsionadas pela redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). No acumulado do ano, as vendas de veículos estão com queda de 8,6%, enquanto as de motos aumentaram 9,1% em relação a janeiro-outubro de 2002.
O comércio de carro pode sofrer novos impactos negativos já neste mês, por causa do fim do acordo de três meses que reduziu em 3,0 pontos percentuais o IPI. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê fechar 2003 com redução de 7% nas vendas. Antes do acordo com o governo federal para redução do IPI, a expectativa era mais pessimista, com possibilidade de reduzir as vendas em 10%.
Por outro lado, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas e Bicicletas (Abraciclo) só tem motivos para comemorar. Entre janeiro e outubro de 2003, foram comercializadas cerca de 720 mil motos. Devem ser fabricados 1 milhão de motocicletas nesse ano no Brasil, sendo 910 mil destinadas ao mercado interno e o restante à exportação.
O parananse aderiu à febre da moto com intensidade. Do total vendido em 2000 no Brasil, o Paraná participou com 4,1%. Em 2002, esse percentual pulou para 5,7%. Do início deste ano até setembro, 7% das motos comercializadas no País foram adquiridas por paranaenses. Os dados são da Abraciclo.
A gerente de uma revendedora de motos em Curitiba, Camila Mainetti, disse que a maioria dos clientes usa a motocicleta para trabalhar. ''Vários motivos contribuíram para o crescimento do mercado, desde o preço do combustível ao custo de estacionamentos e as dificuldades no trânsito'', observou. A moto pode ficar estacionada durante o dia todo na rua, além de caber facilmente em qualquer vaga.
O modelo mais vendido é a Titan CZ 125, que custa em média de R$ 4,6 mil a R$ 4,8 mil. Na cidade, essa moto faz de 30 a 40 quilômetros por litro de combustível. A média dos veículos populares é de 12 a 14 quilômetros por litro. Camila aponta outra vantagens: ''A mensalidade de um consórcio é menor do que o trabalhador gasta com vale-transporte''.

mockup