Vendas de motocicletas caem 9,66% no Paraná
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sexta-feira, 15 de junho de 2012
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
O mercado de motocicletas no Paraná retraiu 9,66% nos primeiros cinco meses deste ano na comparação com o mesmo período de 2011. Na média nacional, a queda foi de 4,2%. Os números são da Federação Nacional da Distribuição dos Veículos Automotores (Fenabrave). De janeiro a maio de 2012, foram emplacadas no Estado 29.497 motos. Nos mesmos meses do ano passado, haviam sido 32.651.
Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), José Eduardo Gonçalves, desde outubro de 2011, o mercado vem sentindo uma ''seletividade maior'' de crédito pelos bancos. ''Isso vem se agravando e tem impactado nos nossos resultados'', afirma.
De acordo com ele, a maior parte dos compradores de motocicleta depende de pagamento a prazo. ''Nossos clientes são 85% das classes C e D. E 80% das motocicletas são vendidas em parcelas'', ressalta. Gonçalves informa que, no início deste ano, 52% dos negócios eram feitos por meio de financiamento e 48% por consórcios. Ele diz que agora esses percentuais se inverteram, prova de que os bancos estão mais rigorosos na hora de liberar o dinheiro.
O diretor explica que, além do aumento da inadimplência, os bancos apresentam algumas outras razões para as negativas de cadastros de financiamento. ''Há desde pedidos de financiamentos envolvendo valores acima do poder de compra do cliente até formulários preenchidos de forma errada'', explica.
Por isso, a Abraciclo está recomendando ao mercado que treine melhor os vendedores. ''Isso não resolve o problema, mas ajuda'', afirma. Os resultados dos primeiros cinco meses de 2012 fizeram a entidade rever a expectativa de crescimento do mercado em 5% em 2012. ''Se conseguirmos empatar com o ano passado, já estará muito bom'', ressalta. Em 2011, foram vendidas, segundo a Fenabrave, 1,940 milhão de motos em todo o País.
Gonçalves não soube explicar por que o número de emplacamentos de motos caiu mais no Paraná. Ele diz que o Estado tem uma relação de nove habitantes por moto, enquanto a média nacional é de dez habitantes por moto. ''É um mercado que tem muito a crescer ainda. Se pegarmos a Itália, por exemplo, são sete habitantes por motocicleta. Em alguns países asiáticos, essa relação é de três ou quatro'', destaca.
Concessionárias
Nas concessionárias de motos de Londrina, há quem confirme os números da Fenabrave, quem aponte uma redução menor nas vendas e até quem garanta que o mercado está mais aquecido que em 2011.
Na Kallas, loja da marca Honda, o gerente de Vendas Lúcio Mamede diz que a retração de janeiro a maio é de ''10% ou mais''. ''A inadimplência cresceu, os bancos restringiram o crédito, e as vendas caíram'', afirma. Segundo ele, entre 60% e 70% dos negócios são financiados e as taxas de juros estão mais altas neste ano. ''No ano passado, para moto de até 300 cilindradas, as taxas estavam entre 2,15% e 2,2% (mês). E passaram para 2,35% a 2,4%'', ressalta.
Além disso, os bancos passaram a exigir um porcentual maior de entrada e que o comprador tenha carteira de habilitação. Mamede diz que a loja tem buscado alternativas para tentar reverter a tendência de queda, como a venda de consórcios.
Na PB Motos, concessionária Yamaha, o gerente de Vendas, Rene Martinez, nega uma redução de 9% do mercado. ''Como neste ano tem feito mais frio, é normal que haja um pouco de queda nas vendas, mas não tudo isso'', declara. Ele confirma que a aprovação de crédito está mais difícil, mas não estaria impactando nas vendas. Na loja, 95% dos negócios são financiados.
Já na CBM Motos, que comercializa produtos da marca Dafra, os números da Fenabrave não espelham nem de longe a realidade, segundo a gerente Márcia Luísa Rocha. ''Não sei dizer quanto, mas tenho certeza que crescemos em 2012'', garante. De acordo com ela, a marca aumentou sua participação nos mercados de Londrina e Maringá de 0,72% para 2% do mercado. ''O crédito está mais difícil, mas mesmo assim estamos vendendo bem'', garante.



