Vendas de medicamentos genérico crescem
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sexta-feira, 16 de setembro de 2005
Reportagem local 
Depois de apresentar um crescimento de 21% nas vendas nacionais no primeiro semestre de 2005, segundo o IMS Healt - instituto que audita o mercado de genéricos no país e no mundo - a expectativa é que o segmento atinja ainda um crescimento de 20% até o final deste ano. O salto no primeiro semestre representa um aumento de 58,5 milhões de unidades vendidas de janeiro a junho do ano passado para 70,6 milhões no mesmo período em 2005.
Além da mudança de hábito do consumidor, a estimativa é um reflexo de um momento positivo para o setor que, em outubro, embarca no mercado de contraceptivos, nicho que representa um faturamento de US$ 300 milhões por ano no Brasil. Outro ponto positivo, para o mercado de genéricos e principalmente para o consumidor - que poderá dispor de mais opções a um baixo custo - é o vencimento de diversas patentes de medicamentos importantes que acontecerá em 2006.
Isso porque os laboratórios que realizaram as pesquisas e produzem as marcas têm 15 anos de exclusividade na comercialização. Após esse período, outros laboratórios poderão fabricar os genéricos dessas fórmulas. ''O vencimento de diversas patentes em um mesmo ano permitirá que a população tenha acesso a um número maior de medicamentos genéricos, e vão poder cuidar de sua saúde com grande economia.'', explica o empresário Marcelo Magalhães, proprietário da Farmácia do Genérico de Londrina, única especializada no Paraná.
A farmácia, que completou três anos na semana passada, também acompanhou o crescimento na comercialização apresentado nos primeiros seis meses deste ano. ''Londrina acompanhou o crescimento nacional. No Brasil, a classe que mais consome é a B e na cidade, além da B, a classe C também representa uma parcela significativa.'', ressalta. Nos últimos anos, o empresário vem identificando um crescimento da procura em outras classes sociais. ''Está mais claro para as pessoas que o genérico é um medicamento confiável e aquelas dúvidas e resistência inicial foram superadas.'', salienta.
O esclarecimento sobre os testes obrigatórios de bioequivalência e biodisponibilidade, exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e o preço, em média 45% menor, são as causas desse salto no consumo, enquanto a indústria brasileira de medicamento em geral amarga um crescimento de apenas 0,1% no primeiro semestre. A expansão do consumo também fortaleceu as indústrias: hoje existem 61 fabricantes do produto no Brasil, entre empresas multinacionais e de capital nacional.
Segundo Vera Valente, da Associação Brasileira das Indústrias do Medicamento Genérico, nos últimos cinco anos, os brasileiros economizaram R$ 2,7 bilhões com a opção pelos genéricos. ''É importante ressaltar que grande parte dos genéricos são de uso contínuo, como remédios para pressão e colesterol, o que faz com que a economia seja muito significativa ao longo do tempo.'', afirma a farmacêutica Lucimara Dal Col Bertoli. Além dos consumidores, a classe médica também vem aderindo ao medicamento. Nos Estados Unidos, 42% das prescrições já são para o genérico.


