Vendas de materiais de construção caem 7,4% neste ano
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segunda-feira, 01 de junho de 2015
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
A indústria de materiais de construção registrou queda de 5,3% nas vendas em maio em relação ao mesmo mês do ano passado. Já na comparação com abril deste ano houve um aumento de 6,5% nas vendas. O resultado acumulado de janeiro a maio deste ano também foi negativo e apresentou queda de 7,4%. E quando se analisa o acumulado dos últimos 12 meses, a redução nas vendas do setor chega a 7,3%. O levantamento é da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat).
Segundo o presidente da Abramat, Walter Cover, as vendas da indústria são voltadas para o varejo e para as construtoras. O setor atende desde pequenas obras residenciais até empreendimentos de infraestrutura e imobiliários. Ele disse que, de janeiro a maio, as vendas de materiais para obras de infraestrutura caíram 16%; para as obras de apartamentos e grandes empreendimentos comerciais a queda somou 8% e para o varejo, a redução foi de 2%.
"O brasileiro adora reforma, mas está indo um pouco mais devagar", disse. Ele observou que as pessoas estão preocupadas com o emprego, a diminuição da renda e o aumento da inflação.
Para o segundo semestre, ele disse esperar uma ligeira melhora das vendas. Cover acredita em melhora do ambiente econômico com o ajuste fiscal do governo federal. Também prevê que as famílias se apresentem um pouco mais confiantes. O representante da Abramat ainda acredita que as importações no setor também devem cair com o aumento do dólar. O lançamento do Programa Minha Casa Minha Vida 3 pelo governo federal previsto para junho deste ano também pode impulsionar o setor, na avaliação dele.
"É preciso retomar uma agenda positiva de crescimento na economia, que estimule o setor privado a investir, se inicie uma nova fase de construção na infraestrutura e afaste de vez a ideia de aumento nos impostos", afirmou.
O setor de varejo da construção civil tem sentido um pouco menos a crise no Estado. O presidente da Federação dos Comerciantes de Materiais de Construção do Paraná (Fecomac), Selvino Bigolin, disse que, na média de janeiro a maio, as lojas venderam 4% a mais. "O nosso público é o consumidor final e também o agronegócio", disse.
"Para o varejo que vende pulverizado, não está tão ruim", comentou. Bigolin disse que algumas pessoas estão preferindo tirar o dinheiro aplicado em investimentos financeiros para aplicar em imóveis, seja em ampliação, reforma, ou até em construção de uma casa para vender ou alugar.
"A nossa expectativa é que o segundo semestre seja melhor", afirmou. Para o fechamento deste ano ele espera vendas, ao menos, estáveis em relação a 2014 ou com crescimento de 5%.
A venda de material de construção no varejo caiu 2% em maio, na comparação com abril, e recuou 7% frente a igual mês de 2014, de acordo com pesquisa divulgada ontem pela Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). No acumulado de janeiro a maio, as vendas ficaram estáveis na comparação com o mesmo período do ano passado. O levantamento ouviu 530 lojistas das cinco regiões do País entre os dias 27 e 29 de maio.
Sobre a expectativa dos empresários, aproximadamente 45% dos entrevistados avaliam que poderão recuperar parte das vendas já no mês de junho. Outros 40% esperam que, em junho, as vendas se mantenham no mesmo patamar de maio. "Aproximadamente 34% dos entrevistados afirmaram que pretendem fazer novos investimentos nos próximos 12 meses e 15% têm a intenção de contratar novos funcionários", aponta o presidente da Anamaco, Cláudio Conz.
Diante dos resultados dos primeiros cinco meses do ano, a Anamaco revisou a expectativa de crescimento em 2015, de 6% para 3% sobre o ano passado, quando o setor bateu recorde de faturamento histórico de R$ 60 bilhões.


