Vendas de maio frustram o comércio
Após desempenho fraco no Dia das Mães, lojistas estão mais contidos nos estoques de inverno
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quarta-feira, 29 de maio de 2019
Após desempenho fraco no Dia das Mães, lojistas estão mais contidos nos estoques de inverno
Aline Machado Parodi - Grupo Folha 

Depois do resultado frustrante das vendas do Dia das Mães, o comércio trabalha com perspectivas mais enxutas para o Dia dos Namorados e os próximos meses (junho, julho e agosto). A projeção é de uma leve alta de 2% a 3% no Dia dos Namorados e recuperação das vendas no trimestre.
O varejo esperava alta de 5% nas vendas no Dia das Mães, mas ficaram na casa dos 2%. “Maio era o nosso segundo dezembro. Mas agora, as vendas estão como de meses normais”, reclamou a vendedora Marcilene Vaz.
Há quase 15 anos no ramo, a vendedora Isabel Cristina Oliveira Figueiredo disse que nem no auge da crise, em 2016 e 2017, as vendas estavam tão ruins. “As pessoas querem preço. Não ligam mais para qualidade e estão fazendo muita pesquisa”, contou.
Na tentativa de conquistar o consumidor, algumas lojas já estão colocando a coleção deste ano em promoção. “A coleção de inverno já entrou com preço de promoção. Estamos praticamente o ano todo com promoção”, afirmou Rossana Rezende Dalla Vecchia, gerente de uma loja de calçados.
Os lojistas estão mais contidos na formação dos estoques de inverno em função da queda nas vendas e no faturamento. O ticket médio está entre R$ 80 a R$ 100. “O cliente está parcelando no crediário e no cartão, mas tem muita gente com o nome sujo, com débito nas faculdades, na conta de luz”, comentou Dalla Vecchia.
Há dois anos no ramo de vestuário, o lojista Valmir Joaquim Ignácio afirmou que não percebeu queda acentuada em relação ao ano passado. “Estou só há dois anos com a loja e não estou sentindo muito. Mas bom, bom não está. Só está dando para pagar as contas”, disse.
Para competir com lojas mais tradicionais do Centro, Ignácio aposta na compra acertada. “A minha filha é quem faz as compras e ela procura não trazer roupa repetida. Também é importante ter uma vitrine bem montada e uma vendedora que atraia a clientela”, contou.
O indicador ICF (Intenção de Consumo das Famílias), elaborado pela CNC (Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo) e divulgado pela Fecomércio PR (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná), teve redução de 2,1% em maio, em comparação com abril. Em relação a maio do ano passado, o indicador apresentou alta de 5,3%.
O diretor comercial da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Ângelo Pamplona, acredita que com a chegada das primeiras ondas de frio o comércio se aqueça. Segundo ele, a Acil está definindo as estratégias para o Dia dos Namorados.
Com o desempenho tímido do Dia das Mães, o Sincoval (Sindicato do Comércio Varejista de Londrina) prevê que maio feche negativo. “Com a instabilidade da reforma da Previdência tem muitos altos e baixos que respigam no comércio”, declarou Ovhanes Gava, presidente do Sincoval.
Gava espera que o desempenho positivo que o setor automotivo vem registrando também possa se transferir para o varejo. “Se o (bem) valor agregado teve aumento podemos ter respingos positivos para o varejo”, afirmou. Mas o setor acredita que a alta não ultrapasse os 3%.


