Vendas de livros têm pior desempenho em uma década
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sexta-feira, 05 de junho de 2015
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
O setor editorial apresentou decréscimo real de 5,16% em 2014, já descontada a variação de 6,41% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do período. Isso significa, em números absolutos, 3 milhões menos livros vendidos no ano passado, passando de 480 milhões de exemplares em 2013 para 436 milhões em 2014, com redução de 9,23%. Os números são da pesquisa "Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro", realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP) sob encomenda do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL). O levantamento foi divulgado esta semana. O faturamento do mercado editorial, em 2014, foi de R$ 5,41 bilhões, contra R$ 5,36 bilhões em 2013 (sem levar em conta o IPCA).
O desempenho é considerado o pior em uma década e foi impulsionado, principalmente, pelas vendas para o governo. Nessa área, as compras variam a cada ano, conforme as séries escolares contempladas pelo maior programa do País, Plano Nacional do Livro Didático (PNLD), do governo federal. Esse programa comprou 31% menos livros em 2014, passando de 176 milhões a 121 milhões.
Desconsiderando as vendas para o governo, o setor editorial apresentou ligeiro crescimento real de 0,86%, com decréscimo de 0,81% no número de exemplares vendidos. Marcos da Veiga Pereira, presidente do SNEL, também atribui o baixo desempenho do mercado editorial ao cenário econômico de um ano em que o País sediou a Copa do Mundo. "O cenário econômico de 2014, ano em que aconteceu a Copa do Mundo, fez com que os editores fossem mais seletivos em seus lançamentos." Ainda segundo a pesquisa, as editoras diminuíram o ritmo dos lançamentos em 8,5% neste ano, e aumentaram a tiragem média em 9,3% para garantir produção igual à de 2013. "O aumento na tiragem reflete apostas mais assertivas e a tentativa de diminuir o custo unitário dos lançamentos, preservando a margem das editoras", explica Pereira.
Os consumidores, no entanto, não deixaram de comprar livros. O estudante de direito Lucas Vaz, que compra pelo menos um por mês, afirma que não abriu mão de adquirir livros nem neste ano, nem no ano passado. "Continuei comprando." Fanática por livros, a professora Graziele Barbosa conta que compra exemplares "sempre que possível", mesmo que tenha sentido uma elevação nos preços dos produtos recentemente.
Já o professor universitário Fernando Accorsi relata que ficou mais criterioso na compra. "Como as outras contas ficaram mais altas, consequentemente tive que equilibrar as finanças. Se antes comprava dois, três livros, hoje compro um que seja mais importante."
"Quem é leitor mais adicto vai continuar comprando livro", comenta Silvia Liberatore, dona da Livraria da Silvia, em Londrina. Ela observa, entretanto, que houve diminuição no tíquete médio de compra dos últimos meses. "As pessoas continuam comprando, mas estão gastando menos. Quem gastava R$ 100 com livros, por exemplo, hoje gasta R$ 50, R$ 60." A expectativa, entretanto, é de manutenção do mercado. "O livro tem valor intrínseco, tem representatividade. Há perspectiva de manutenção do mercado por isso."
Mesmo com a queda das vendas anunciadas pela SNEL, o grupo livrarias Curitiba afirma ter obtido crescimento de 12% nas vendas em 2014 na comparação com 2013. "Nossas lojas estão em fase de crescimento, mas a Região Sul tem um índice de leitura melhor", justifica Marcos Pedri, diretor comercial do grupo. Ele reconhece que as editoras diminuíram o volume de lançamentos no ano passado. "Os lançamentos custam mais caro para as editoras. A crise fez com que elas apostassem em menos títulos", continua. Para 2015, a livraria espera crescimento de 5%.


