Curitiba - O setor de construção civil ultrapassou os índices de crescimento do País. A estimativa é que o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresça 4,5% em 2008 e o PIB da construção civil atinja um crescimento de 8,5% a 9%. A previsão é que o Paraná acompanhe o mesmo patamar de evolução do País. No ano passado, as vendas de imóveis novos cresceram 5% no Estado.
O vice-presidente da área técnica, política e de relações trabalhistas do Sinduscon-PR (Sindicato da Indústria da Construção Civil), Euclesio Finatti, acredita que o acesso às linhas de crédito, a concorrência de taxas de juros entre os bancos e a estabilidade econômica são os principais fatores que têm levado ao aumento das vendas no setor.
De acordo com dados do Banco Central, de janeiro a maio deste ano foram aplicados R$ 326 milhões no Paraná em financiamentos imobiliários com recursos da poupança, 47% a mais que no mesmo período do ano passado. Os financiamentos realizados com recursos do FGTS atingiram R$ 366 milhões de janeiro a maio, volume 69% superior aos cinco primeiros meses de 2007.
Finatti acredita que o setor não está vivendo uma ''bolha de crescimento momentâneo'', mas um crescimento real e sustentável. Para ele, está voltando o conceito de que comprar um imóvel é um bom negócio para investir.
Com os resultados positivos do setor, as empresas de construção civil estão contratando mais. No primeiro semestre deste ano, o setor dobrou o número de novas vagas criadas em relação ao período de janeiro a junho de 2007 e fechou com 11.514 postos de trabalho no Paraná.
Londrina
''Londrina está vivendo um momento mágico''. A afirmação é do imobiliarista Raul Fulgêncio para definir como está o mercado imobiliário na cidade atualmente. Segundo ele, 2007 foi considerado um ano muito bom para o setor, mas só o primeiro semestre deste ano superou em 15% o volume de vendas do ano passado. Fulgêncio explica que já foram comercializados 75% do estoque previsto para este ano e os outros 25% devem ser vendidos até o final de setembro. Sobra um trimestre inteiro para comercialização de novos apartamentos.
O empresário analisa que o mercado de imóveis novos em Londrina sempre teve como lógica realizar primeiro o lançamento para depois comercializar, mas agora está acontecendo o contrário. ''Hoje, nós já temos clientes e saímos atrás de quem construa. Estamos atrasados em relação ao mercado: temos mais demanda que produtos''.
O resultado é que as construtoras decidiram antecipar para agosto e setembro alguns dos lançamentos previstos apenas para 2009. No total, serão lançados 940 apartamentos de médio e alto padrões, com tamanhos entre 105 e 290 metros quadrados, e com valores de R$ 160 mil a R$ 600 mil por unidade.
O aquecimento no setor de imóveis em Londrina reflete positivamente também nos postos de trabalho. Na imobiliária de Fulgêncio o quadro de corretores formado por 19 pessoas, em 2006, saltou para 54 neste ano - um aumento de quase 200%. A Raul Fulgêncio Negócios Imobiliários comercializa cerca de 70% dos lançamentos da construção civil em Londrina.

mockup