Curitiba - Os comerciantes do Paraná apostam na entrada de cerca de R$ 1 bilhão, referente ao pagamento da primeira parcela do 13º salário, para aquecer as vendas a partir de novembro. O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) calcula que um volume total de R$ 2,1 bilhões serão pagos a 4 milhões de trabalhadores paranaenses dos mercados formal e informal. Esse volume é 5% maior que o registrado no ano passado. O abono de Natal pago somente pelo setor formal, onde estão inseridos aproximadamente 3 milhões de empregados, é de R$ 1,7 bilhão.
De acordo com o economista do Dieese, Cid Cordeiro, entre 50% e 60% do dinheiro do 13º salário deverão ficar no comércio, cerca de 30% serão usados para quitar dívidas e o restante será destinado a aplicações financeiras.
Além do ingresso do 13º salário, o comércio acredita num fator comportamental para melhorar as vendas. Com o aumento do desemprego e queda na renda, avaliou Cordeiro, o trabalhador retraiu muito o consumo e, por isso, dezembro é o mês em que as pessoas tendem a se soltar e consumir mais. Apesar do otimismo, na opinião dos lojistas, o gasto dos consumidores paranaenses deve ser em média de R$ 20,00 por presente, ou seja, as vendas devem aumentar sim, mas os produtos mais procurados serão os de baixo valor.
A instabilidade econômica no País tem tido reflexo direto no comportamento do comércio. A pesquisa encomendada pelo Sindicato do Comércio do Paraná (Sindicom) mostra que nos meses de julho e agosto, as vendas no varejo tiveram crescimento de 6,51% e 4,21%, respectivamente, comparando-se ao mês anterior. Mas o bom desempenho ainda não foi suficiente para reverter a variação acumulada no ano que é de -1,54%, como resultado da queda nas vendas nos meses de janeiro (-27,71%), fevereiro (-5,72%), abril (-7,60%) e junho (-5,44%).
Cordeiro lembra que o aumento nas vendas em agosto não reflete, necessariamente, uma situação confortável para o comércio em geral, já que apenas o segmento combustíveis e lubrificantes apresentou variação positiva de 12,17%. Segundo o economista, os setores que dependem de crédito e da renda do consumidor tiveram desempenho negativo nas vendas: veículos, motos e peças (-11,98%); tecidos, vestuário e calçados (-9,92%); hiper e supermercados (-5,21%); móveis e eletrodomésticos (-2,67%) e demais artigos de uso pessoal (-1,12%).
O emprego no comércio paranaense registrou aumento de 0,68% em agosto, gerando 2.044 novas vagas. No acumulado do ano a variação é de 3,96% e de 6,23% nos 12 meses.

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