Vendas de eletroeletrônicos caem 27%
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terça-feira, 17 de março de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaContradiçãoO setor de som e imagem teve forte queda nas vendas, mas os preços estão 50% mais baixos desde o real A indústria de eletroeletrônicos fechou o primeiro bimestre do ano com uma queda nas vendas da ordem de 27,61% em relação ao mesmo período do ano passado. Desse total, o segmento de linha branca recuou 16,86% e a área de imagem e som caiu 38,03%. Os portáteis, por sua vez, cresceram 6,67%. Os números foram divulgados ontem pelo presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Roberto Macedo.
O mês de fevereiro, em relação ao mesmo mês de 97, registrou uma queda de 20,99% no índice geral de venda de eletroeletrônicos. A maior queda nesse período ficou com o segmento de imagem e som (40,07%), seguida de linha branca, com baixa de 18,07%, e de portáteis, com recuo de 2,87%. Em relação ao mês anterior, as vendas industriais cresceram 6,66%, com aumento 6,49%, 5,9% e 13,52% para os segmentos de linha branca, imagem e som e portáteis, respectivamente.
Para Macedo, esses resultados do mês de fevereiro mostram um comportamento mais defensivo dos consumidores e das lojas e o impacto das medidas do governo de restrição ao crédito, adotadas no final de 97. Na avaliação do presidente da Eletros, as taxas de juros ainda estão em patamares muito elevados. Além disso, a renda do consumidor foi reduzida nesse período em função do novo Imposto de Renda.
Preços Os preços médios de bens eletroeletrônicos ficaram praticamente estáveis em fevereiro, com um aumento nominal de apenas 0,03%, após mais de um ano de quedas continuadas. Desde o início do Plano Real, em julho de 94, até fevereiro de 98, o índice geral de preços dos eletroeletrônicos tiveram queda de 38,85%, distribuídos da seguinte forma: menos 24,63% na linha branca; menos 50,19% em imagem e som; e menos 27,36% em eletroportáteis.
Com base nesses números, Macedo prevê que as vendas industriais do setor devem fechar 98 com uma queda de 20% em relação ao ano anterior. Os preços, no entanto, não devem cair mais. Ele não acredita em um aumento dos preços nesse período, como chegaram a cogitar alguns fabricantes. Para obter uma margem maior, as empresas vão ter que se preocupar em diversificar sua linha de produto, afirmou.
O presidente da Eletros não descarta novos ajustes na indústria, o que poderia acarretar novas demissões. Os maiores ajustes já foram feitos, mas não é possível prever com exatidão como irá se comportar o mercado este ano.


