São Paulo - Os resultados das vendas de geladeiras, fogões e outros bens da chamada linha branca produzidos pela Bosch no Brasil foram tão surpreendentemente bons em 2001 que o presidente da empresa, Bernhard Schuster, quase aprendeu a sambar no Carnaval. As vendas da empresa cresceram 6% em 2001 e ele espera o mesmo avanço, de 6%, em 2002.
Isso demonstra que a rapidez necessária para vender no que chama de competitivo mercado brasileiro ele já adquiriu, apesar de ter pouco mais de um ano no País e de falar com um sotaque carregado, mas perfeitamente compreensível. Está tão animado, no embalo das vendas e da agitada missão teutônica que passou recentemente pelo Brasil, que defende acordos bilaterais que ampliem o comércio entre os dois países e pede a abertura do mercado europeu para os produtos alimentícios brasileiros: ‘‘Nunca comi comida tão gostosa’’, disse ele animado com a culinária brasileira.
O setor de linha branca foi apontado como um dos setores mais atingidos pela crise de energia no ano passado, quando uma pesada publicidade aconselhou o desligamento de geladeiras, freezers, lavadoras e secadoras. Daí o crescimento de 6% das vendas em 2001 e a expectativa de aumentar o faturamento em mais 6% em 2002 são auspiciosos.
Bernhard Schuster, de 42 anos e nascido na região da Bavária, é o presidente no Brasil do Grupo BSH, uma fusão desses negócios da Siemens e da Bosch na Alemanha. Ele acha que se houver uma melhora nas condições de exportação, as condições de negócio da empresa serão ainda melhores. Essa expectativa otimista vai levar a empresa a investir em 2002 mais que os R$ 30 milhões aplicados em 2001.
A BSH trabalhou a todo vapor para atender a avalanche de encomendas que desabou no último trimestre, resgatando as estimativas de crescimento do início de 2001. ‘‘As vendas de Natal ficaram bem acima das nossas expectativas, que já consideravam os efeitos da crise energética’’, disse Schuster.
Isso, a despeito da paralisação dos negócios na Argentina, a partir de novembro, por conta da crise política e econômica que ainda persegue o país vizinho e que reteve por lá parte do faturamento da empresa. ‘‘A crise na Argentina fez com que voltássemos nossos negócios para o Brasil, e foi no mercado interno que compensamos as perdas das vendas lᒒ, contou o executivo.
Esse aumento da receita no mercado brasileiro, que passou por momentos de intenso pessimismo, pode ser explicado justamente pela economia feita forçosamente pela população durante a crise energética, provocando uma demanda reprimida. ‘‘Os eletrodomésticos são produtos básicos, como fogões e refrigeradores, e fazem parte do consumo compulsório das famílias. Portanto, parte da renda média é destinada a esse nosso mercado’’, avaliou Schuster.

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