Vânia Casado
De Curitiba
Em pleno período de plantio da safra de verão 1999/2000, a venda de defensivos agrícolas não deslancha. Um dos fatores é a estiagem que está impedindo o plantio e com isso o produtor prorroga a aquisição dos insumos. Mas o quadro esperado para esse ano já era de queda nas vendas, em função do agravamento da crise na agricultura que descapitalizou os produtores afirma José Antonio Fontes, vice-presidente da Milênia Agrociências, e diretor do Sindicato Nacional de Defensivos Agrícolas.
Apesar do quadro de recessão, Fontes não vincula a queda nas vendas de defensivos agrícolas à menor utilização de tecnologia no plantio da safra de verão. O empresário observa que está em curso uma mudança de patamar na agricultura brasileira, onde o produtor vai utilizar o mínimo necessário. ‘‘ Isso não quer dizer que o produtor vai reduzir a tecnologia, mas sim restringir as compras ao volume suficiente para obter boa produtividade ’’, explica.
Para o empresário, dessa vez a redução nas compras é o primeiro sintoma de que o produtor realmente está preocupado com o monitoramento dos custos. Segundo Fontes, isso explica que o produtor está aderindo às orientações de que precisa trabalhar com gestão empresarial e avaliação de custo e benefício, ‘‘ o que não é de todo ruim’’, destaca.
A projeção feita por técnicos do Sindicato é que esse ano a queda nas vendas será superior a 22%, que é o percentual de redução das vendas no comércio, durante o primeiro semestre. De janeiro a julho de 1998, o faturamento das indústrias somou US$ 1,030 bilhão e esse ano o faturamento caiu para US$ 795 milhões no mesmo período. ‘‘A expectativa é que se o faturamento fechar em US$ 1,5 bilhão, será muito’’ acredita Fontes. No ano passado o setor faturou US$ 2,5 bilhões.
Até o mês de julho, período que os produtores fazem grandes aquisições de insumos a queda nas vendas de herbicidas era de 36%; na venda de fungicidas, 7%; na venda de inseticidas 8%; na venda de acaricidas, 21% e demais produtos, 27%, que na média dá uma queda de 22%. Fontes destaca que a queda acentuada na venda de herbicidas, uma dos insumos mais comprados no comércio, é um sintoma de que os produtores estão prorrogando ao máximo possível a compra.
Para se adaptar à queda nas vendas, as indústrias também estão de olho em programas de gestão e redução de custos. Fontes disse que a situação econômica atual obriga as indústrias a praticar uma administração severa, com monitoramento completo sobre os números, para não trabalhar no vermelho e se deparar com surpresas desagradáveis. Além da queda de faturamento, as empresas estão enfrentando problemas em relação à nova alta do dólar, que elevou os preços da matéria-prima em 15% só no mês de agosto.

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