Vendas de consórcios crescem 4,8% em 2012
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sábado, 16 de março de 2013
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 
O setor de consórcios cresceu 4,8% de 2011 para 2012 em volume de negócios, abaixo da expectativa de até 9% da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio (Abac). Mesmo assim, a entidade considera que a ampliação de 11,4% no número de participantes mostra que os reflexos da crise econômica mundial não reduziram o interesse pela compra planejada que o sistema permite. Ainda, o momento de melhores emprego e renda levou a mudanças na demanda por produtos, com migração entre segmentos e aumento do tíquete médio de compra.
No ano passado o volume de negócios foi de R$ 80,1 bilhões, acima dos R$ 76,4 bilhões de 2011. O número de participantes subiu de 4,650 milhões de pessoas para 5,18 milhões, recorde histórico que contou com ampliação na maioria dos segmentos. A exceção ficou com as vendas de eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis, que caiu 29,3% ao passar de 73,5 mil donos de cotas para 52 mil.
O presidente executivo da Abac, Paulo Roberto Rossi, afirma que a previsão de crescimento no volume de vendas para 2012 era de 7% a 9%, mas que havia cautela devido à possibilidade de a crise interferir no poder de compra do brasileiro. Por isso, a associação estima para este ano o desafio de incremento de 5% a 7%, com o reaquecimento da economia. ''A exemplo do ocorrido no ano passado e com vistas à recuperação, o foco da economia nacional continuará a ser o mercado interno. Paralelamente, os consórcios continuarão a ser procurados por consumidores que planejam o futuro.''
Rossi admite que a previsão é mais conservadora do que no ano anterior, mas prevê que será cumprida desta vez. ''Por entender que a migração entre as classes sociais continuará, acreditamos no crescimento entre 5% e 7% nas futuras adesões e consequente aumento de participantes e contemplações.''
O diretor de operações da BR Consórcios, José Roberto Lupi, afirma que, mesmo com a crise econômica mundial, o momento de pleno emprego vivido pelo País contribui para o setor. ''A saúde financeira das classes B, C e D tem trazido muitos clientes para o consórcio'', diz o representante da associação de empresas do setor, com sede em Londrina.
Lupi, que também é presidente da regional Sul 2 da Abac, diz que o fortalecimento da classe média ajudou a reduzir a procura por consórcios de eletrodomésticos, por exemplo. ''A presença era forte da classe C, que migrou para automóveis, motos e imóveis pelo aumento do poder de compra.''
Ele conta que a possibilidade de planejar a compra em médio e longo prazos diminuiu o reflexo do baixo crescimento econômico do País no ano passado. Como exemplo, cita que o número de participantes com cotas de caminhões cresceu 9,6%, mesmo com a queda de emplacamentos no mercado de 20,22%, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). ''Nosso público tem foco no futuro, então manteve as compras e aumentou o tíquete médio porque a nova legislação ambiental deixou os veículos mais caros.''
No caso de imóveis, diz que a queda nos juros de financiamentos não influenciou a procura por consórcios. Houve queda de 13,8% no número de novas cotas, que passaram de 224,1 mil em 2011 para 193,2 mil no ano passado. Porém, ele diz que o motivo foi a alta dos preços no mercado. ''Nossos produtos não são concorrentes, mas complementares. Quem precisa de imóvel na hora busca o financiamento e quem pode esperar vai para o consórcio, que tem juros menores'', conta.
Para 2013, Lupi espera crescimento no setor duas ou três vezes acima do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em volume de vendas. Ele cita que em 2012, com PIB de 0,9% no País, o setor já teve quase o dobrou ao bater em 1,6% no quesito. ''Não vamos chegar a duas casas neste ano, mas de 5% a 7% sim.''


