Um dos poucos setores da economia que permaneceram alheios à estagnação econômica que o Brasil atravessa em 2003, o ramo de consórcios apresentou crescimento de 7% no volume total de vendas, pulando de 731 mil aquisições no primeiro semestre de 2002 para 784 mil no mesmo período deste ano; e 3% de aumento no número de consorciados ativos que passou de 2,91 milhões em 2002 para mais de 3 milhões em 2003.
O presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac) para o Paraná, Rodolfo Montosa, atribui o crescimento do setor principalmente à conscientização do consumidor quanto aos juros de financiamentos. A Abac não tem números específicos sobre o desempenho no Paraná, mas sabe-se que o Estado responde por 8% do mercado nacional de consórcios.
O consórcio de imóveis, produto relativamente novo no mercado, com pouco menos de cinco anos de existência, foi o principal responsável pela alta do setor. O número de adesões ao produto foi cresceu 28% no primeiro semestre de 2003 comparado ao mesmo período do ano anterior, passando de 35 mil para 45 mil. A carteira de consorciados ativos cresceu 32%, de 108 mil para 142 mil. ''O produto teve grande crescimento este ano porque só agora o consumidor está conhecendo suas vantagens'', acredita Montosa. O segmento com pior desempenho foi o consórcio de eletroeletrônicos, com queda de mais de 30% no número de participantes da carteira. Os consorciados ativos passaram de 315 mil no primeiro semestre de 2002 para 196 mil em 2003. As vendas tiveram resultado positivo, mas não o suficiente para cobrir a redução da carteira: alta de 25%, pulando de 84 mil em 2002 para 113 mil este ano.
''Acredito que o consumidor começou a se conscientizar quanto ao enquadramento das parcelas de consórcio em seus orçamentos. Em momentos de instabilidade econômica e política como foi o início do ano, o consumidor prefere o consórcio, pois não tem juros'', explica Montosa. Segundo o presidente da Abac, parcelas de consórcios chegam a ser até 50% mais baixas que parcelas de financiamento, por causa dos juros.
O segmento de consórcio para eletroeletrônicos, no entanto, não se beneficia com o mesmo raciocínio do consumidor, pois são produtos com preço bem mais acessível. ''Crediários de lojas também cobram juros altos desses produtos, mas como ainda assim suas parcelas permanecem dentro dos limites de orçamento das pessoas, fica mais fácil se decidir pela compra simples. Além do mais, as compras de bens duráveis como carros e casas são feitas de forma muito mais pensada do que de eletroeletrônicos''. Montosa acredita ser este o principal fator para o desempenho ruim do segmento no começo do ano.
A Abac estima para o segundo semestre crescimento de 12% no volume de vendas do setor. ''Apesar do período conturbado pelo qual passamos no início do ano, o crescimento foi significativo e o cenário mais tranquilo para o final de 2003 deve garantir alta ainda maior'', conclui.

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