Vendas de combustíveis têm queda de 9,4%
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terça-feira, 30 de março de 2004
Nicola Pamplona<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - Os mais recentes dados sobre as vendas de combustíveis no País desanimam quem acreditava em retomada do consumo a partir da virada do ano, como as distribuidoras e a própria Petrobras. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), houve uma queda nas vendas de 9,4% em janeiro, com relação ao mesmo mês de 2003. A retração frustrou o ensaio de retomada do consumo que ocorreu em dezembro, quando as vendas foram 2,5% superiores ao mesmo período do ano anterior.
Os números são contestados pelas grandes distribuidoras, que registram em suas vendas um pequena alta em janeiro. De qualquer forma, todos confirmam que o mercado de combustíveis não reagiu conforme se esperava no final do ano passado. ''O início do ano foi frustrante porque todos esperavam uma retomada que não aconteceu'', diz o diretor-superintendente da Ale Combustíveis, Cláudio Zattar.
De acordo com a ANP, a queda em janeiro foi puxada pela retração no consumo de gasolina, de 13,6%, e do diesel, de 6,7%. A agência informou que os números são preliminares e podem ser alterados caso haja novas informações das distribuidoras. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), porém, confirma a tendência apontada pela ANP e indica uma queda de 0,6% nas vendas de combustíveis e lubrificantes em sua última Pesquisa Mensal de Comércio.
Especialistas no setor debitam o mau momento à crise econômica e ao aumento das fraudes. ''A adulteração é um reflexo da crise, pois o achatamento da renda leva o consumidor a procurar produtos mais baratos e que, nem sempre, são de qualidade'', avalia o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE).
No final do ano passado, executivos de distribuidoras e da Petrobras esperavam uma recuperação nas vendas, que tiveram em 2003 seu pior desempenho desde 1997. Contaminados pelo otimismo que tomava conta do cenário econômico, argumentavam que o crescimento do País impulsionaria o consumo de combustíveis. Em janeiro, porém, os brasileiros consumiram 6 bilhões de litros de combustíveis, abaixo dos 6,6 bilhões registrados em janeiro de 2003.
Se continuar neste ritmo, o consumo de combustíveis vai atingir um nível inferior ao de 1996, quando as vendas totalizaram cerca de 77 bilhões de litros. Em 2003, o consumo nacional foi de 83 bilhões de litros, volume 5,2% inferior ao registrado em 2002. Desde 1999, o mercado de combustíveis só retrocede. Este ano, a redução do preço do álcool pode ter influenciado nas vendas de gasolina, ampliando a mistura entre os dois combustíveis conhecida como rabo-de-galo , aponta Pires.
A retração do consumo põe na berlinda os investimentos em uma nova refinaria de petróleo no País. A Petrobras já indicou que pode adiar o investimento, em razão da revisão das necessidades brasileiras. ''Com o aumento do consumo de gás natural e das vendas de carros bicombustíveis, o projeto terá mesmo de ser adiado'', avalia o consultor.


