Não é a toa que a indústria fonográfica está abraçando novas formas de vender música, ainda que de forma tardia. As vendas do setor caíram expressivamente em 2005, em relação ao ano anterior. No segmento de CDs musicais, a queda foi de 12,5% em valores faturados e de 21,7% em unidades vendidas, segundo a ABPD, associação que congrega as gravadoras.
De um lado, a indústria briga com a pirataria física, que avança também sobre o mercado de DVDs musicais. De outro, com o compartilhamento de arquivos pela internet, que se tornou uma verdadeira febre entre os internautas, desde o final da década de 90.
''A verdade é que a indústria de discos não inovou seu modelo de negócios na hora que deveria ter feito e agora está apostando no modelo da Apple. Mas os preços ainda estão incompatíveis com a renda do brasileiro'', afirma Ronaldo Lemos, professor da Fundação Getúlio Vargas e especialista em direitos autorais.
João Marcello Bôscoli, da gravadora Trama, tem opinião semelhante. ''A indústria está fazendo isso a contragosto, com um verniz de modernidade'', dispara. A Trama, que licencia artistas como Otto, Nação Zumbi e Tom Zé, vende música digital em sites como iTunes, iMusica e Yahoo, mas no seu próprio site, optou por oferecer download gratuito. Hoje, 50% da receita da empresa vem da venda de CDs físicos, e 50% da promoção de eventos envolvendo os artistas.

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