Ao contrário dos carros novos, cujas vendas caíram quase 20% no primeiro semestre deste ano, depois de uma queda de 7,3% no mesmo período de 2014, o mercado de seminovos ou usados vem crescendo desde 2010. No primeiro semestre deste ano, foram vendidas 1.269.851 unidades (carros de passeio + comerciais leves) zero quilômetro no País, contra 1.582.569 no mesmo período de 2014. Já, no segmento de usados, as vendas chegaram a 4.805.917 unidades, contra 4.601.072 no ano passado (crescimento de 4,4%). Os números são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
No primeiro semestre de 2014, para cada zero quilômetro, eram vendidos 2,5 usados. Neste ano, a proporção subiu para um a cada 4. As concessionárias de Londrina confirmam o crescimento do mercado de seminovos. Nas garagens independentes, no entanto, não há muita comemoração.
Na Fiat Marajó, o diretor Eduardo Meneghetti diz que este mercado é muito estável. "Faz tempo que não altera muito. Ele representa em média três vezes mais que o de novos", afirma. Ao contrário dos zero quilômetro, o diretor afirma que não há limitações para os usados. "O limite é meu estoque", declara. Ele também afirma que a concessão de crédito pelos bancos está regular. "Estão aprovando bem", conta.
Já, na Ford Tropical, o vendedor Renato Porto diz que a última quinzena foi a melhor do ano. "Desde o início do ano as vendas de seminovos vêm crescendo mês a mês", declara. Ele afirma que a "qualidade" do estoque ajuda a loja a vender. "Temos muitos carros com baixa quilometragem e ainda com garantia de fábrica. Eles poderiam ser enquadrados como zero quilômetro", declara.
Porto diz que a concessionária faz seleção rigorosa para colocar um carro no pátio. "Temos um estoque grande e cuidamos muito da qualidade", afirma. Segundo ele, os seminovos representam um mercado mais lucrativo que o de zero quilômetro. "Têm uma margem de lucro maior", conta.
O ânimo não é o mesmo nas garagens. "Os bancos tiraram os pés dos aceleradores (dificultaram o crédito). E isso afeta muito o nosso mercado", afirma o administrador da Auto Padrão Veículos, Rodrigo Marques. Ao contrário do que mostram os números da Fenabrave, ele diz que o mercado é inconstante. "Tem uma semana boa e o resto do mês é ruim", declara. Os juros, na opinião de Marques, são outro problema. Há "alguns anos", eram de 0,89% ao mês e agora passam de 2%. "No mês passado, vendemos cinco carros, nenhum financiado", afirma.
O vendedor Robson Godoi dos Santos, da Euro Car, diz que as vendas caíram 50% na comparação com o ano passado, principalmente quando se trata de carros mais velhos. "A burocracia do banco é grande, estão exigindo entrada maior, e os juros subiram", justifica. No ano passado, segundo ele, as taxas eram em média de 1,7%. E hoje vão até 2,8%. "Temos expectativa de que vai melhorar mais para o fim do ano."

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