Vendas de carros novos devem crescer até 10% este ano
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sexta-feira, 23 de novembro de 2001
Vânia Casado<br>De Curitiba 
Ao contrário das previsões pessimistas que surgiram no segundo semestre, agravadas pelos atentados terroristas de setembro aos Estados Unidos, as concessionárias estão constatando um aumento na venda de veículos novos neste final de ano. Se o movimento continuar favorável, a expectativa é fechar o ano com vendas em até 10% acima do ano passado.
No total deverão ser fabricados 1,6 milhão de veículos novos, entre automóveis e comerciais leves, afirmou Hugo Maia, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Ele rebate a afirmação das montadoras que as vendas estão em queda. Segundo ele, as montadoras venderam muito no mercado externo e no interno também.
Maia esteve ontem em Curitiba participando da abertura da 5 edição do Salão do Automóvel. Avaliando o desempenho das vendas de carros este ano, Maia, disse que 2001 começou com vendas em alta até o mês de maio. A partir do segundo semestre, o comércio refluiu com o agravamento da crise argentina, alta do dólar e crise energética. ''Em setembro, o mercado praticamente parou'', destacou.
Mas no último mês, a situação mudou e o cenário econômico tende a ficar favorável às vendas neste final de ano, avaliou. Ele não acredita na manutenção da promoção das montadoras de ''juro zero'', embora lembre que o consumidor deve fazer as contas corretamente. ''Se há juros, então não é zero'', comentou.
Maia disse que as concessionárias estão de olho na entrada de dinheiro novo no mercado. A expectativa é que o 13º salário injete no mercado nacional algo em torno de 2,5% do PIB do País e ainda tem o crédito do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS). ''Só o fato de haver esse crédito já anima o mercado'', destacou. Maia acrescentou que o governo só não mudou a taxa de juros porque é muito monetarista.
Para o ano que vem, a expectativa também é otimista, ao contrário das montadoras que falam em demissões. Maia disse que as vendas também deverão crescer em 10% no ano que vem. Sobre as demissões, ele destacou que por enquanto elas se restringem à fabrica da Volkswagen, em São Paulo, para atender uma necessidade de reestruturação da empresa. ''O aumento das vendas não significa em criação de mais empresas, porque a tendência é acrescentar tecnologia e diminuir postos de trabalho'', explicou.
As demissões previstas na Volks, só vão ser revertidas se o setor ganhar mercado exportador, avaliou. Maia lamenta que as montadoras não revejam o preço do carro ao consumidor brasileiro para aumentar as vendas. Ele faz coro com a maioria dos consumidores que considera o valor unitário de venda do veículo muito elevado. ''As montadoras foram muito beneficiadas com incentivos e apesar disso fazem seus custos em dólar, mas esquecem que a população brasileira não tem renda para acompanhar a moeda norte-americana'', afirmou.
Segundo Maia, a indústria automobilística põe a culpa do preço alto do carro na carga tributária. ''Mas os impostos que incidem na fabricação de carros não são diferentes de outros produtos industrializados similares'', comparou. Mas as montadoras precisam pagar dividendos e royalties para suas matrizes e essa conta é feita em dólar, acrescentou.


