O mercado brasileiro de automóveis cresceu 11,15% no mês passado, segundo a Federação Nacional da Distribuição dos Veículos Automotores (Fenabrave). O número de unidades emplacadas passou de 188.708, em abril, para 209.750, em maio. Por si só, o dado não comprova o reaquecimento do setor, uma vez que, no mês passado, os Departamentos de Trânsitos (Detrans) contaram com 22 dias úteis para fazer emplacamentos contra 20 dias úteis de abril.
Levando esse fato em consideração, a média diária de vendas de automóveis cresceu apenas 1,05%. ''Ainda não dá para perceber nos números o impacto das medidas anunciadas pelo governo no dia 21 (de maio)'', explica o presidente da Fenabrave, Flávio Meneghetti. Para incentivar a indústria automobilística, a presidente Dilma Rousseff zerou, até agosto, o IPI sobre carros 1.0.
Segundo ele, os carros que foram vendidos a partir daquela data ainda não foram emplacados e, por isso, não constam da estatística de maio. ''O reflexo da medida vai aparecer nos números de junho'', disse. Apesar disso, de acordo com Meneghetti, já é possível perceber que o setor está se reaquecendo. ''Nossa percepção é que as vendas estão crescendo e os estoques caíram 15%'', ressaltou.
Além da questão do IPI, que levou a um desconto de 10% nos preços dos carros 1.0, o presidente da Fenabrave diz que a redução dos spreads bancários e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) já resultaram numa diminuição de ''12% a 14%'' das parcelas de financiamento de quem comprou veículos depois do dia 21.
Ele também afirmou que a concessão de crédito pelos bancos aumentou em cerca de 20% nas últimas semanas. E disse não estar preocupado com crescimento da inadimplência. ''A situação de inadimplência que temos hoje se refere a vendas de 2009, 2010, 2011, quando se vendia carro sem entrada. Desde outubro do ano passado, os bancos estão exigindo entrada de 20% a 30% e isso diminui o risco de inadimplência pois seleciona os clientes'', destacou.
Segundo o gerente de vendas da Cipasa, Sidnei Fonseca, concessionária Volkswagen em Londrina, as vendas em maio cresceram 15% na comparação com abril. ''Na primeira quinzena, nossa expectativa era de que haveria uma redução. Mas, a partir do dia 22, quando baixou o IPI, houve uma explosão enorme de vendas'', disse.
Na Metronorte, loja Chevrolet, o crescimento em maio foi de 20%, segundo o diretor Comercial, Waldir de Rezende. ''Fizemos uma série de promoções de modo que tivemos boas vendas no começo do mês, mas, depois do anúncio da redução do IPI, o movimento aumentou bem mais'', contou.
O secretário de Esporte do Município de Iepê (SP), Antonio Carlos Pelissari, 45 anos, aproveitou o IPI zero para trocar seu Uno 2008 por um Pálio 2012/13. Cliente da Fiat Marajó, ele foi buscar o automóvel na tarde de ontem. ''Se não houvesse essa condição diferenciada, eu não trocaria agora'', contou. Sem IPI, ele pagou R$ 34 mil no veículo. O preço cheio era de R$ 37 mil.

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