Arquivo FolhaPátio lotadoRevendas vão mudar atuação no mercado para superar a crise, diz FenabraveO presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérgio Reze, disse que as vendas de carros no varejo deverão cair 30% neste mês. Essa redução deve ser mantida em janeiro e fevereiro, mas, a partir de março, o mercado começará a reagir. Mesmo com essa retração nas vendas, ele acha que o setor não tem necessidade de promover demissões.
‘‘A concessionária que demitir agora alegando dificuldades por causa do pacote econômico estará se aproveitando da situação’’, diz Reze. Segundo ele, só reduzirá quadro de funcionários as empresas que não têm estrutura para enfrentar o mercado e as que trabalham com vendas paralelas, fornecendo produtos para os chamados ‘‘boqueiros’’ a preços de custo.
Reze reconhece que a atual crise no mercado de automóveis é forte e obrigará as revendas a modificarem a forma de atuação no mercado. A prática de descontos e de campanhas conjuntas entre as fábricas e a rede de concessionários deverá ser ampliada para conquistar consumidores.
No caso específico da Volkswagen, que ameaça demitir 10 mil trabalhadores ou reduzir a jornada de trabalho e os salários em 20%, é quase consenso entre o mercado automobilístico que a empresa estudava o enxugamento da estrutura. ‘‘A Volks está aproveitando o pacote para propor a redução dos salários’’, diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho.
‘‘Os salários pagos pela Volks em São Bernardo são o dobro do que os de Betim (MG)’, diz o presidente da Associação Brasileira dos Concessionários Fiat (Abracaf), Humberto Pereira Carneiro. A média salarial dos metalúrgicos na fábrica do ABC é de R$ 1,4 mil, segundo a empresa.
Marinho diz que a própria montadora é responsável pela perda de mercado que vem registrando nos últimos meses. Em janeiro, a montadora era responsável por 39,4% das vendas de automóveis, participação que caiu para 25,4% em novembro. ‘‘A direção da Volks foi incapaz de colocar novos produtos no mercado; por isso, perdeu participação’’, diz o sindicalista. ‘‘É a única empresa que não conseguiu lançar modelos com quatro portas’’, afirmou.

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