Vendas de avião agrícola dobram
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sexta-feira, 05 de dezembro de 2003
Agência Estado 
Botucatu O bom desempenho da agricultura trouxe ganhos também para um dos mais sensíveis setores do agronegócio: a fabricação de aviões para uso agrícola. A Indústria Aeronáutica Neiva Ltda., com sede em Botucatu, interior de São Paulo, elevou em quase 100% este ano, em relação ao ano passado, as vendas do Ipanema, o único avião agrícola brasileiro. Em 2002, foram comercializados 29 aviões. Este ano, já foram vendidas 56 unidades a um valor de US$ 12 milhões. A empresa, subsidiária da Embraer, espera manter o ritmo em 2004.
''Se o preço da soja continuar como está, vamos fazer muitos aviões'', aposta o diretor-gerente da Neiva, Paulo Urbanavicius. Ontem, ele entregou ao diretor-presidente da Agropecuária Maggi, Itamar Locks, o Ipanema de número 900. O avião, que custa US$ 219 mil (R$ 641 mil), será usado na pulverização das lavouras do grupo, que ocupam 170 mil hectares no Estado do Mato Grosso. Os Maggi são os maiores produtores de soja do mundo, com o cultivo anual de 116 mil hectares.
Além do número 900, o grupo encomendou mais um avião para fechar o ano com uma frota de sete modelos Ipanema. ''Nossa produção vem crescendo a um ritmo de 15% ao ano e o Ipanema é como um trator que voa'', disse Locks, elogiando a rusticidade e versatilidade do aparelho.
O Centro-Oeste do Estado, a grande fronteira agrícola da soja brasileira, tornou-se o principal destino dos aviões que saem da fábrica de Botucatu. Alguns produtores preferem mudar o combustível, da gasolina para o álcool, o que garante uma economia operacional de até 20%. A conversão custa em torno de US$ 20 mil. No próximo ano, os aviões Ipanema já podem sair da fábrica com o motor a álcool hidratado. O projeto, em fase final de homologação, está sendo desenvolvido com o apoio técnico de parceiros como a Lycoming, a Precision e a Hartzell, que fabricam respectivamente o motor, a injetora de combustível e a hélice.
''Acreditamos que o álcool é uma opção para o mercado da aviação agrícola, pois não agride o meio ambiente e pode prolongar o ciclo de manutenção dos motores'', disse Urbanavicius. O modelo tem capacidade para 950 litros de produtos químicos.
O Brasil tem uma frota de cerca de 1.000 aviões agrícolas, dos quais 200 estão no Rio Grande do Sul, sendo usados principalmente nas culturas de arroz, 200 no Mato Grosso, Goiás e Tocantins e cerca de 250 entre São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. O restante está espalhado pelos outros Estados. Cerca de 85% dessa frota são aviões Ipanema. Aviões americanos velhos, adaptados para uso agrícola, e os modelos Airtractor, produzidos no Texas, completam a frota. Os aviões texanos, de maior capacidade, custam mais que o dobro do nacional -cerca de US$ 480 mil.


