Curitiba - As vendas da indústria paranaense caíram 6,1% no mês de fevereiro, na comparação com as vendas de janeiro. Em relação ao início do ano passado, porém, as vendas industriais do primeiro bimestre tiveram um comportamento positivo, registrando aumento de 1,1%. A justificativa apresentada foi o mês atípico, que em função do Carnaval teve apenas 17 dias úteis.
Conforme levantamento mensal feito pela Federação da Indústria do Paraná (Fiep), os setores mais penalizados pela queda nas vendas foram do vestuário, produtos farmacêuticos, material elétrico e comunicação. O vestuário registrou queda de 44% nas vendas em decorrência da mudança de estação climática. A venda de produtos farmacêuticos e veterinários foi reduzida em 28,59% em consequência na queda de produtos fitoterápicos. E o setor de material elétrico e de comunicação registrou queda de 22,06%, motivada pelas vendas fracas dos eletrodomésticos e menos investimentos em telefonia.
A queda expressiva nas vendas também está sendo atribuída à política de governo que interrompeu o processo de redução da taxa básica de juros da economia. Junto com esse fator, a nova alíquota da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) que entrou em vigor no dia 1º de fevereiro obrigou a indústria a negociar novos patamares de preços com seus clientes, situação que contribuiu com a queda nas vendas, explicou o assessor econômico da Fiep, Maurílio Schimidt.
Para março as perspectivas não são animadoras, pelo menos para os setores cujos clientes se concentram no mercado interno. Para esses setores, os efeitos da expectativa de queda nos juros não passaram. Além disso, haverá nova absorção da carga da Cofins, a partir de 1º de maio, obrigando nova rodada de negócios entre a indústria e clientes. ''Diante disso, o cenário de otimismo só para quem trabalha com exportações'', disse Schimidt. Com esse quadro nada otimista, as indústrias estão trabalhando com um índice de ociosidade de 23%.
As compras de insumos, um indicativo que aponta o nível de atividade da indústria para atender os pedidos, foram 11,1% menores no primeiro bimestre deste ano em relação ao ano passado. Por outro lado, houve crescimento de 5,77% da massa salarial líquida em relação ao mês anterior. Segundo Schimidt, fevereiro concentrou a distribuição da participação dos empregados nos resultados das empresas e de lucros, justificou.

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