Brasília - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê um crescimento moderado das vendas do setor em 2006. Os indicadores de agosto, divulgados ontem pela entidade, mostraram que as vendas industriais, que indicam o faturamento real das empresas, interromperam uma sequência de três meses de alta e registraram queda de 1,13% em relação a julho, descontados os efeitos sazonais. O economista da CNI Paulo Mol afirmou que a valorização do real frente ao dólar, ao prejudicar as exportações, impediu um crescimento maior do faturamento das indústrias, o que explica, em grande parte, a queda do indicador em agosto. No acumulado do ano, as vendas registram uma ligeira queda, de 0,08%, em relação aos oito primeiros meses de 2005.
Mol lembrou que as exportações representam, em média, 25% do faturamento do setor industrial. Os números divulgados pela CNI mostram ainda uma dispersão no comportamento da atividade econômica. Por isso, segundo Mol, fica difícil estimar o comportamento da indústria no segundo semestre deste ano. Enquanto as vendas caíram em agosto, os indicadores ligados ao ritmo da produção mostraram-se praticamente estáveis.
As horas trabalhadas cresceram 0,11% e o nível de emprego subiu 0,21% na comparação com julho. A utilização da capacidade instalada das fábricas ficou em 81,5%, apenas 0,3 ponto porcentual abaixo de julho, demonstrando não haver risco de pressão sobre a oferta de produtos. ''Este comportamento surpreende um pouco. Há um processo de descompressão da política monetária (redução de juros), que deveria estar tendo impacto favorável na atividade econômica'', afirmou o economista chefe da CNI, Flávio Castelo Branco. ''A economia está meio de lado na entrada deste trimestre. Nos últimos dois meses, a economia deu uma certa estabilizada'', avaliou.
Segundo Castelo Branco, a grande surpresa positiva este ano é o indicador de empregos, que cresce há nove meses consecutivos. No entanto, a CNI ainda não consegue explicar claramente o descompasso entre os dados de emprego e o de horas trabalhadas. O primeiro cresceu 1,6% de janeiro a agosto deste ano enquanto que as horas trabalhadas na produção aumentaram 1,05% no mesmo período. Castelo Branco acredita que pode ter havido maturação de investimentos - que aumentaram a produção, mas não ampliaram o número de horas trabalhadas - ou a substituição de empregados provisórios ou de horas extras por empregos permanentes. A CNI espera uma intensificação da produção industrial, ainda que moderada, até novembro para atender à maior demanda de fim de ano.
Historicamente, o indicador sobe entre os meses de agosto e novembro. O impacto no faturamento das indústrias, no entanto, vai depender do comportamento do câmbio até o final do ano. Castelo Branco acredita que o efeito câmbio será menos intenso no último trimestre do ano porque a base de comparação com o quarto trimestre de 2005 já reflete a valorização do real.
O economista afirmou que o consumo das famílias deve continuar crescendo e sustentando as vendas na indústria. Ele alertou, entretanto, que grande parte do aumento do consumo interno está sendo atendido pelas importações. ''Há uma expectativa de que aumentem as importações para atender a demanda de final de ano. É razoável esperar que aumente o número de produtos importados nas prateleiras das principais redes de varejo'', disse. A previsão da CNI é de que o consumo doméstico cresça 4,2% este ano, enquanto o volume das importações deve subir 16,5%.

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