Vendas crescem, mas lojistas reclamam
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terça-feira, 06 de janeiro de 1998
Carmem Murara Curitiba 
Krasw PenasCaloteLuis Nardeli, coordenador do SCPC: Inadimplência é assustadora, e não sabemos por queO comércio curitibano fechou o ano de 1997 com aumento de 26% nas vendas em relação ao ano anterior. O crescimento foi constatado principalmente em produtos de baixo valor agregado, o que desagradou aos lojistas. A maioria dos comerciantes preferia vender menos, mas comercializar produtos caros. Produtos como eletrodomésticos, carros e móveis, que exigiram prestações mais altas, ficaram em segundo plano.
Para desagradar ainda mais o comércio, junto com o aumento nas vendas veio a inadimplência. Ela subiu 60% no mesmo período. A Associação Comercial do Paraná estima que 36,8% da população economicamente ativa esteja com prestações atrasadas.
Os dados do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) mostram que quase 406 mil consumidores têm dívidas não pagas nas lojas curitibanas. Somente no mês de dezembro, a inadimplência ficou 55% superior a novembro. O índice sobe para 112,3% se a comparação for feita entre dezembro deste ano e o mesmo mês no ano anterior.
O percentual da inadimplência é assustador, mas não sabemos explicar os motivos que levam o consumidor a não pagar o crediário, afirmou o coordenador do SCPC, Luiz Valdir Nardeli. Ele lembrou que o número de consumidores, que se tornaram inadimplentes, aumentou desde a implantação do Plano Real, em julho de 1994.
O volume de vendas surpreendeu os lojistas, que estimavam fechar o ano com resultados negativos em relação a 96. Mais surpresos ficaram quando houve a confirmação de que os produtos caros ficaram encalhados nas prateleiras. O lojista precisou mudar o perfil de sua loja para se adaptar ao estilo do consumidor, avaliou o presidente da Associação Comercial do Paraná, Ardisson Akel. Ele citou algumas lojas que introduziram produtos baratos junto com os mais caros para atrair o comprador.
No final do ano, as vendas de eletrodomésticos apresentaram um crescimento. Em dezembro, houve aumento de 18,7% nas vendas em relação a dezembro de 96. O percentual foi calculado com base no número de consultas do SCPC.
O setor que apresentou maior crescimento em vendas foi o de tecidos. O aumento foi de 355%. Em seguida aparecem os produtos de informática e materiais para escritório, com aumento de 260% sobre dezembro de 96.
As administradoras de consórcios e o segmento de telecomunicações fechou o mês com variação negativa de quase 60%. Se as lojas de tecido comemoram as vendas, as que vendem roupas prontas reclamam. A queda nas vendas foi de 11%. As lojas de móveis tiveram redução de 18% nas vendas e as concessionárias apresentaram redução de 11%.


