Curitiba As vendas da indústria do Paraná cresceram 3,46% em agosto, em relação ao mês anterior. Com isso, o faturamento do setor está 8,2% maior no período janeiro a agosto em comparação com o mesmo periodo do ano passado. O aumento na vendas fez com que setores intermediários da indústria (papel e papelão, siderurgia, madeira) operassem no limite da capacidade instalada.
O resultado do desempenho industrial de agosto mostra que, após 17 meses, a tendência das vendas aponta para o azul. Apesar do aumento do faturamento, o setor não recuperou perdas acumuladas em 2003, quando fechou o ano com uma redução de 12,1%, avaliou o presidente da Federação das Indústrias do Paraná, Rodrigo Rocha Loures.
Para manter o ritmo de expansão, a indústria paranaense aumentou em 58,5% as importações de insumos industriais. De acordo com o Centro Internacional de Negócios, departamento da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), as indústrias estão comprando lá fora os insumos que não encontra no mercado interno.
Dos 18 segmentos pesquisados, 14 puxaram o resultado das vendas do setor, com destaque para vestuário, calçados e artefatos de tecidos (72,18%), mecânica (23,22%) e matérias plásticas (7,77%).
No acumulado do ano, a indústria de material de transportes (carros, ônibus e caminhões) cresceu 55,22%, a indústria editorial e gráfica aumentou as vendas em 44,95%, com destaque para o grupo Positivo com as vendas de material didático e enciclopédias para outros Estados. Outro setor que está recuperando mercado é o textil, que aumentou em 38,09% a venda de tecidos e fios para outros Estados.
Nas exportações tiveram bom desempenho o setor de produtos farmacêuticos e veterinários, que teve crescimento de 387,4%; material elétrico e de comunicações, cujas vendas para o mercado externo cresceram 325,81%.
O aumento das vendas está propiciando a criação de novos empregos. De acordo com a Fiep, o nível de emprego na indústria aumentou 0,72% em agosto, que significou a criação de 2.800 novos empregos, o mais alto desempenho da série histórica da Fiep desde 1992. Apesar disso, muitas indústrias no Estado ainda optam por trabalhar com horas extras de funcionários.
Apesar dos meses de setembro e outubro serem tradicionalmente bons para a indústria, quando ela está produzindo as encomendas para final de ano, os analistas da Fiep não arriscam falar sobre a tendência de crescimento para os próximos meses. Isso porque o governo federal já sinalizou que pretende restringir o crédito pessoal, fator que tem impulsionado o crescimento da demanda no mercado interno. No período janeiro a agosto o crédito pessoal aumentou 31,45%, recursos que foram destinados para compra de bens duráveis como automóveis e eletrodomésticos.

mockup