O volume de vendas no varejo no Brasil caiu 2,34% em maio em relação a maio do ano passado, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De janeiro a maio, o comércio varejista apresentou retração de 0,96% em relação ao mesmo período do ano passado. Já a receita nominal de vendas, sem descontar a inflação do período, registrou alta de 5,10% em maio, em comparação com o mesmo período do ano anterior, e alta de 5,98% nos primeiros cinco meses do ano, também em relação ao mesmo período de 2000.
O pior desempenho ficou por conta do grupo ‘‘demais artigos de uso pessoal e doméstico’’, cuja redução foi de 10,43% nas vendas em maio, em relação a maio de 2000. Contribuíram também negativamente para o resultado, os grupos de combustíveis e lubrificantes (-2,51%) e móveis e eletrodomésticos (-0,28%).
Supermercados e hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo apresentaram uma pequena alta, de 0,12% - o que significou uma desaceleração no ritmo de vendas dos meses anteriores. Em março, as vendas desses produtos aumentaram 3,93% e em abril, 0,82%.
A queda no volume de vendas do varejo em maio mostra mais efeitos das altas da taxa de juros e do câmbio do que as medidas do racionamento, que entraram em vigor em junho. A afirmação é da chefe do departamento de Comércio e Serviços do IBGE, Vânia Prata.
Um dos indícios é o comportamento das vendas do grupo veículos, motos e partes. Esse segmento havia registrado alta de 20,11% em março e de 12,20% em abril. No entanto, em maio, houve uma diminuição do ritmo de crescimento, passando a 0,62%.
A queda no consumo também foi verificada nos artigos de primeira necessidade. Nessa categoria, o grupo ‘‘hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo’’ vem apresentando, desde março, uma forte desaceleração em suas vendas. Em março, o IBGE havia apurado um crescimento de 3,93% no volume de vendas, em abril, de 0,82%, e em maio, de 0,12%.
Embora o racionamento tenha começado a vigorar em junho, as vendas realizadas em maio sofreram efeitos negativos a partir do anúncio dessas medidas.
A queda de 0,28% nas vendas de móveis e eletrodomésticos em maio, causada basicamente pelo racionamento de energia elétrica, foi a primeira taxa negativa do ano para esse grupo. O grupo registrara crescimentos de 10,64% e 2,78% em março e abril, respectivamente.
No acumulado do ano, esse grupo acumula alta de 4,60%. Em abril, os móveis e eletrodomésticos acumulavam alta de 6,05% desde janeiro. Na região Sul, onde o governo não estabeleceu as medidas de racionamento, houve, em maio, crescimento. Comparado com o mesmo mês do ano anterior, as vendas do grupo móveis e eletrodomésticos tiveram alta de 12,72% no Rio Grande do Sul; 8,95% em Santa Catarina; e de 2,09% no Paraná.

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