As vendas a prazo no varejo do País fecharam 2013 com alta de 4,12% sobre 2012, segundo balanço divulgado ontem pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). A pressão inflacionária e o menor crescimento da renda do trabalhador em relação ao ano anterior ajudaram a deixar o índice abaixo da estimativa anterior da entidade, de 4,50%. O desempenho ainda foi inferior ao do fim de 2012, quando havia crescido 7,16% sobre 2011.
Feita em parceria com o Sistema de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), a pesquisa aponta que as consultas ao sistema do órgão em dezembro do ano passado também decepcionaram. Houve alta de 2,90% em relação ao último mês do ano anterior. O resultado foi considerado fraco pela entidade diante do aumento de 5,37% no fim do ano em 2012 sobre dezembro de 2011.
O presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, diz que nem mesmo o Natal, data mais lucrativa para o varejo, reverteu a desaceleração do comércio no ano passado. Para a economista do SPC Brasil, Luiza Rodrigues, houve diferenças entre 2012 e 2013, como redução nos índices de geração de emprego, de expansão da renda e na oferta de crédito. "Some-se a isso o fim gradual de isenções e reduções tributárias, como o do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para eletrodomésticos, automóveis e móveis, que contribuiu para o menor crescimento."
Diretor da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Brasilio Armando Fonseca acredita que o consumidor puxou o freio de mão. "A inadimplência não deixou o varejo crescer, porque as pessoas resolveram ajustar as finanças para não ter aumento dos custos financeiros no começo do ano."
Fonseca diz que a alta dos juros e a expectativa de baixo crescimento do País assustaram os clientes das lojas. A taxa básica de juros, a Selic, subiu do piso histórico no País de 7,25% em abril para os 10% atuais, o que diminuiu a oferta de crédito por parte dos bancos.
Consultor da Associação Comercial do Paraná (ACP) e diretor do instituto Datacenso, Claudio Shimoyama afirma que o fato de pagamentos à vista terem aumentado em 2013 significa que o consumidor também comprou menos. "Isso mostra que as pessoas estão mais conscientes e indo menos às lojas."
Nas lojas de Londrina, os comerciantes do Centro se dividem sobre os resultados do Natal. Nas mais populares, o sentimento foi de que as vendas foram melhores em 2013 do que no ano anterior, como no caso da Cigana Modas. A gerente Francisca Martins Silva afirma que o movimento em dezembro foi satisfatório. "Nosso preço ajudou bastante e temos mercadorias boas, mas percebi que as pessoas estão pagando mais à vista", diz.
A proprietária da loja A General, Messarra Chahine Ubiratan, afirma que vendeu 30% mais no fim de 2013 do que no mesmo período de 2012. "Vejo que boa parte da população está endividada e, com o que ganha, não consegue distribuir presentes para toda a família, mas aqui foi bom. Nossa loja já é tradicional na cidade."
Para a gerente da Status For Woman, Karina Bertran, 2013 fechou com o mesmo resultado de 2012. "Acho que as pessoas estão economizando para outras coisas. O governo deu muitos incentivos e as pessoas se endividaram para fazer reformas, comprar casa própria. Temos clientes antigos que ainda compram, mas compram menos."

Para 2014
A estimativa na CNDL para este ano é de que o índice de crescimento das compras a prazo fique em 4%. A economista do SCP Brasil diz que, se o governo não controlar a inflação, pode ocorrer um leve aumento do desemprego e afetar o consumo. Apesar de ser o ano da Copa do Mundo, o presidente da CNDL acredita que nem todos os setores terão lucros maiores. Pellizzaro Junior vê o comércio de alimentos, bebidas e produtos eletrônicos mais beneficiados do que vestuário e calçado.

Imagem ilustrativa da imagem Vendas a prazo sobem menos que o esperado
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