A possibilidade de comprar produtos unitários em supermercados está gerando polêmica no Paraná. De um lado estão advogados e consumidores que alegam que o Código de Defesa do Consumidor garante esse direito. De outro estão supermercadistas e a indústria alegando que é inviável manter embalagens individuais para determinados produtos. Entre os dois segmentos está o Procon-PR, que ainda não tem uma posição definida a esse respeito. ''Estamos esperando a definição do Departamento de Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça a esse respeito'', diz o coordenador do Procon, Nain Akel Filho.
Os produtos mais visados nessa discussão são o papel higiênico e os iogurtes, que normalmente são encontrados em embalagens de quatro ou mais unidades.
Segundo o advogado Carlyle Popp, o direito do consumidor nessa questão está amparado pelo artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor. ''Quando esse fato for observado o consumidor deve tentar argumentar com o estabelecimento que o CDC lhe assegura o direito de adquirir produtos de acordo com suas necessidades e não de acordo com a maior facilidade do fornecedor'', explica.
Para o presidente da Associação Paranaense dos Supermercadistas (Apras), Pedro Joanir Zonta, no caso dos iogurtes a decisão foge das mãos do setor. ''Temos que seguir uma norma do Ministério da Saúde que nos proíbe de violar embalagens'', explica. Segundo ele, a separação de copos de iogurte que são enviados pela indústria numa bandeja de seis unidades é considerada uma violação. Já no caso do papel higiênico, Zonta explica que a venda individual foi abandonada pelo próprio consumidor. ''As unidades acabam ficando no estoque, rolando de um lado para o outro, porque ninguém comprava mais'', argumenta.
Para o presidente do Procon, essa discussão é perigosa. ''E a caixa com 12 ovos, terá que ser alterada também. O mercado terá que vender um ovo só. E o pacote de bolacha, como fica, os biscoitos terão que ser vendidos unitariamente'', questiona. Para ele, no momento em que está clara a atitude de algumas indústrias de mascarar as embalagens, existem coisas mais importantes que devem atrair a atenção do consumidor. ''Quando a indústria muda a embalagem de um quilo para 900 gramas está querendo enganar o consumidor. É essa prática que precisa ser coibida, porque é maliciosa'', considera.

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