A privatização da Copel está sendo debatida no Paraná por ex-governadores, senadores e deputados. A maioria lamenta a venda da empresa, considerada uma das mais rentáveis do País. O ex-governador José Richa (PSDB), por exemplo, acha que o Estado só tem a perder com a privatização da Copel. Para ele, a empresa paranaense é a melhor do Brasil e uma importante fonte de pesquisa e desenvolvimento para o Estado. ‘‘Quando eu era o governador do Estado, a Copel promovia estudos e pesquisas sobre energia solar, dos ventos e de plantas’’, diz Richa.
Ainda no governo Richa, no período entre 1983 e 1986, foram gastos US$ 300 milhões no projeto de eletrificação rural, que levou energia para 127 mil propriedades rurais, com recursos da própria Copel. ‘‘O governo nunca precisou colocar um centavo para investir na Copel, porque ela é lucrativa e paga qualquer tipo de investimento’’, alega.
O ex-governador propõe a realização de um debate público para que a sociedade pudesse participar ativamente da decisão de vender ou não a Copel. ‘‘A Copel sempre foi o orgulho do Paraná e não se pode desfazer isto sem uma discussão mais profunda, temos que ouvir os prós e os contras e tomar a decisão mais coerente’’, argumenta Richa.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que foi um dos maiores ‘‘cabos eleitorais’’ da Copel durante o período em que foi governador do Estado. ‘‘Acho muito triste e trágica a idéia da privatização, não vejo nenhuma razão para isso’’, diz.
O ex-governador é favorável a abertura do mercado da energia elétrica no Estado, deixando que a iniciativa privada construa hidrelétricas e concorra com a Copel. ‘‘Acho que a Copel tem vantagens na competição com a iniciativa privada’’, afirma. Durante o governo Dias, foram construídos dois terços da Usina de Segredo, concluída no governo Requião. ‘‘Eu não gostaria de ficar na história paranaense como o governador que privatizou a Copel’’.
Já o ex-governador Roberto Requião (PMDB) acha que a privatização da Copel é criminosa e angustiante. ‘‘Tenho a sensação de impotência diante da ignorância política daqueles que aprovam a venda da Copel’’, afirma Requião. De acordo com ele, o Paraná perde o controle de um instrumento estratégico ‘‘inimaginável’’ para o desenvolvimento do Estado com a privatização. ‘‘É uma jogada de um governo desesperado e falido, vão vender a Copel para cumprir com compromissos junto aos financiadores’’, acusa. Requião diz que a Copel sempre foi estratégica para o Paraná. Durante o seu governo, foi concluída a Usina de Segredo e iniciada a de Salto Caxias.

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