Venda não tem apoio de ex-governadores
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de maio de 1999
Luciana Pombo 
A privatização da Copel está sendo debatida no Paraná por ex-governadores, senadores e deputados. A maioria lamenta a venda da empresa, considerada uma das mais rentáveis do País. O ex-governador José Richa (PSDB), por exemplo, acha que o Estado só tem a perder com a privatização da Copel. Para ele, a empresa paranaense é a melhor do Brasil e uma importante fonte de pesquisa e desenvolvimento para o Estado. Quando eu era o governador do Estado, a Copel promovia estudos e pesquisas sobre energia solar, dos ventos e de plantas, diz Richa.
Ainda no governo Richa, no período entre 1983 e 1986, foram gastos US$ 300 milhões no projeto de eletrificação rural, que levou energia para 127 mil propriedades rurais, com recursos da própria Copel. O governo nunca precisou colocar um centavo para investir na Copel, porque ela é lucrativa e paga qualquer tipo de investimento, alega.
O ex-governador propõe a realização de um debate público para que a sociedade pudesse participar ativamente da decisão de vender ou não a Copel. A Copel sempre foi o orgulho do Paraná e não se pode desfazer isto sem uma discussão mais profunda, temos que ouvir os prós e os contras e tomar a decisão mais coerente, argumenta Richa.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que foi um dos maiores cabos eleitorais da Copel durante o período em que foi governador do Estado. Acho muito triste e trágica a idéia da privatização, não vejo nenhuma razão para isso, diz.
O ex-governador é favorável a abertura do mercado da energia elétrica no Estado, deixando que a iniciativa privada construa hidrelétricas e concorra com a Copel. Acho que a Copel tem vantagens na competição com a iniciativa privada, afirma. Durante o governo Dias, foram construídos dois terços da Usina de Segredo, concluída no governo Requião. Eu não gostaria de ficar na história paranaense como o governador que privatizou a Copel.
Já o ex-governador Roberto Requião (PMDB) acha que a privatização da Copel é criminosa e angustiante. Tenho a sensação de impotência diante da ignorância política daqueles que aprovam a venda da Copel, afirma Requião. De acordo com ele, o Paraná perde o controle de um instrumento estratégico inimaginável para o desenvolvimento do Estado com a privatização. É uma jogada de um governo desesperado e falido, vão vender a Copel para cumprir com compromissos junto aos financiadores, acusa. Requião diz que a Copel sempre foi estratégica para o Paraná. Durante o seu governo, foi concluída a Usina de Segredo e iniciada a de Salto Caxias.


