A possibilidade de a tarifa de energia elétrica cair por causa da privatização do setor não deve ocorrer pelo menos num primeiro momento, como tem pregado o governo federal para justificar a privatização. A afirmação foi feita ontem pelo presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Ingo Hubert. Segundo ele, o que irá definir o preço da energia cobrada dos consumidores finais é a lei da oferta e procura e, para os próximos anos, haverá um descompasso entre a produção e o consumo energético.
Para atender à crescente demanda, o País teria de construir pelo menos uma Itaipu a cada três anos, o que representaria injetar no sistema 12 mil megawatts. Mas os investimentos públicos pararam e as empresas privadas não estão investindo nem 50% do que seria necessário.
‘‘Não podemos vender a ilusão de que haverá queda no preço. Isso é temerário. O valor da tarifa independe da empresa ser estatal ou privada. No Brasil temos problemas de oferta de energia’’, alerta Hubert. Ele avalia que uma queda no preço se daria apenas num segundo momento, quando sobrasse energia no País e em ambiente de livre concorrência.
Tomando como exemplos países que já fizeram a privatização de suas companhias energéticas constata-se que houve redução tarifária em grande parte delas. A Inglaterra privatizou suas estatais em 1990. De lá para cá houve redução de 26% no preço da tarifa residencial e 30% na industrial. Na Argentina, que também fez a privatização em 90, a energia ‘spot’ (sobra de energia comercializada no atacado) caiu de US$ 60 para US$ 25. Na Austrália a redução foi de 32%.
Mas a queda ou a elevação nos preços depende muito da fonte geradora de energia e dos custos que cada empresa tem. O analista econômico e financeiro da Copel, Clécio Fabrício da Silva, explica que a formação da tarifa se dá tomando como base o custo para produzir a energia dividido por quanto a empresa produziu. ‘‘A fonte geradora de energia também influencia muito no preço final. Há determinadas fontes que custam bem menos e isso vai determinar o preço’’, afirma.
Pelos planos do governo federal, a partir de 2004 todos os brasileiros vão escolher de qual empresa comprarão energia elétrica. Assim, um morador de um bairro em Curitiba poderá optar em comprar energia da Cemig de Minas Gerais, enquanto seu vizinho fará a opção pela Coelba da Bahia e um terceiro se manterá cliente da Copel. (C.M.)