Venda industrial do PR frustra previsão
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terça-feira, 05 de agosto de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Arquivo FolhaTempos difíceisO presidente da Fiep, José Carlos Gomes de Carvalho: política econômica segura atividade industrialO crescimento industrial do Paraná no primeiro semestre deste ano ficou abaixo da expectativa feita pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), no início do ano. A previsão era fechar o período com um aquecimento de 4% nas vendas. Mas os números divulgados ontem apontam que as vendas foram 1,94% maiores. O presidente da Fiep, José Carlos Gomes Carvalho, atribuiu a queda à política econômica do governo federal, que tem provocado redução da atividade industrial em todo País.
Esperávamos fechar o semestre com crescimento de 4% em relação ao ano passado. Agora temos a expectativa que haja uma recuperação no segundo semestre, afirmou Carvalho. Ele defende que o governo adote medidas que impulsionem as vendas dos produtos tanto no mercado interno quanto as exportações.
A pesquisa mensal feita pelo Departamento Econômico da Fiep mostra que o ritmo das vendas na indústria ainda continua lento. Entre junho e maio, as vendas tiveram uma pequena variação de 0,4%, o que é considerado como estabilidade pelos economistas da federação.
Os números são mais animadores quando a comparação é feita em um período mais longo. O balanço dos três anos de Plano Real aponta um aumento médio de 22,3% nas vendas. O levantamento mostra que dos 15 setores pesquisados, 13 tiveram resultado positivo no período. A redução nas vendas ficou por conta apenas dos setores de química e vestuário. Os índices negativos foram de 2,8% e 5%, respectivamente.
A Fiep atribui a redução no genêro de roupas como consequência direta da concorrência com o mercado internacional. Os produtos importados dos países conhecidos como Tigres Asiáticos, principalmente da China, inviabilizaram as vendas da produção nacional. No setor químico, a sazonalidade contribuiu para derrubar as vendas. A indústria química engloba o refino da cana-de-açúcar e fabricação do álcool. É uma das áreas que mais emprega, apesar de ter baixo nível de venda.
A indústria de Materiais Elétricos e Comunicações foi a que liderou o ranking de crescimento industrial nos últimos três anos. O aumento foi de 282,7%, ficando pouco mais de dez vezes superior a média geral.
Os números dos dois setores se repetem também no comparativo do primeiro semestre deste ano em relação ao ano passado. A variação em Comunicação e Materiais Elétricos foi de 52,1%.
Quanto ao nível de emprego, as empresas fecham três anos de Plano Real com saldo positivo. Hoje, há 14% mais trabalhadores na indústria em comparação com junho de 94. No primeiro semestre deste ano, empregou-se 6,7% mais trabalhadores em relação aos seis primeiros meses de 96.


