O frio chegou em boa hora para os comerciantes. Em Londrina, o setor comemora a queda de temperatura logo no início de junho, quando ainda há tempo para comercializar os estoques de inverno e às vésperas de uma data forte em vendas, que é o dia dos namorados.
O aquecimento no setor deve-se também, segundo a avaliação de lojistas ouvidos pela Folha, aos preços mais baixos dos artigos de inverno - de 10% a 40% neste ano. Como as vendas em 1996 foram fracas, os consumidores estariam desabastecidos de agasalhos ou até ‘‘enjoados’’ das roupas guardadas há muito tempo no guarda-roupa, o que estaria contribuindo para uma boa saída de roupas e calçados.
Uma loja de departamentos no Calçadão de Londrina registrou um crescimento de 30% nas vendas nos primeiros quatro dias deste mês em relação ao mesmo período do mês passado. ‘‘Por causa do Dia das Mães, no mês passado as vendas aumentaram 75% em relação a abril. Como além do frio temos o Dia dos Namorados neste mês, estamos apostando que as vendas se mantenham 30% maiores que em maio’’, prevê o gerente, Antonio Sampaio de Andrade.
As promoções também ajudam a convencer os consumidores a rechear os armários com artigos de frio. Nesta loja do centro da cidade, o preço que está na etiqueta pode ser parcelado em até cinco vezes. ‘‘No cartão, o consumidor tem prazo de 70 dias para pagar’’, diz Andrade.
Prazos longos também têm sido eficientes em fisgar o consumidor. A maioria parcela os pagamentos por períodos de três a cinco vezes. ‘‘No ano passado, trabalhávamos com apenas dois pagamentos. Agora, aceitamos cheque para 10 de agosto, parcelamos em até quatro vezes com 5% de desconto ou damos 12% nas compras à vista’’, diz a proprietária de uma loja no centro da cidade, Maristela Brunetti.
Segundo ela, as vendas cresceram 30% em abril em relação a março deste ano e vêm se mantendo estáveis até agora. ‘‘É que adotamos estes prazos em abril’’, explica Maristela. ‘‘O que o consumidor está procurando é facilidade, preço baixo e produtos de qualidade’’.
Embora prefira não revelar números, Lígia Fahl Kemmer, gerente de uma loja voltada para jovens, garante que já vendeu muita jaqueta desde a semana passada. ‘‘Como o inverno promete ser rigoroso neste ano, esperamos um crescimento de 30% nas vendas’’.

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