Venda em massa faz o dólar recuar 2,7%
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de novembro de 2001
Das agências<BR>De São Paulo 
O dólar comercial despencou ontem para o nível de preço anterior a 11 de setembro, dia dos atentados terroristas nos Estados Unidos. A moeda norte-americana encerrou com queda de 2,73%, vendida a R$ 2,6020, na menor cotação desde 6 de setembro. A trajetória de baixa iniciada segunda-feira passada teve continuidade ontem com o movimento de venda em ''manada'' de tesourarias de bancos, especialmente de estrangeiros, disseram operadores ouvidos pela Agência Estado.
A percepção de que o mercado interno se descolou da situação argentina também fez alguns bancos iniciarem a desmontagem de posições de hedge. Segundo esses profissionais, o fluxo positivo de recursos favoreceu ainda a baixa. A decisão do banco de investimentos norte-americano Merrill Lynch de elevar sua recomendação para o Brasil de ''gross underweight'' (muito abaixo da média) para ''neutro'' reforçou esse sentimento de independência interna do cenário argentino. Isso porque, segundo a instituição, essa mudança foi fundamentada em três fatores. ''A mais importante é que a economia doméstica do Brasil tem se mantido de uma forma melhor que nossas expectativas nos últimos três meses. Segundo, o Brasil está mostrando sinais de descolamento do contágio no Cone Sul, reduzindo os riscos de uma elevação adicional das taxas de juro. Terceiro, a significativa revisão dos dados do PIB, que foi publicada em outubro, que pesou cerca de 50% na elevação em nossas previsões'', disseram os analistas.
Embora o pacote de medidas argentino anunciado quinta-feira à noite tenha decepcionado já que continuam indefinidas as negociações entre o governo federal e os governadores das províncias em torno do corte de gastos visando o déficit fiscal zero e também com os bancos credores e fundos de pensão , há expectativas de que a reestruturação da dívida ocorra de forma organizada.
No mercado à vista, o dólar comercial oscilou 2,54%, entre a mínima de R$ 2,5940 (-3,03%) e a máxima de R$ 2,66 (-0,56%).
A Bovespa também teve um dia animador: disparou 6,82% ontem, por causa do ''efeito manada'' positivo que fez o dólar despencar para níveis anteriores aos atentatos terroristas nos Estados Unidos. Foi a maior alta da bolsa desde 3 de janeiro, quando a Bolsa subiu 7,61% em resposta à primeira de uma série de queda dos juros promovida pelo Federal Reserve nos Estados Unidos. O volume financeiro no pregão paulista também melhorou sensivelmente, para R$ 690 milhões, mostrando a fome dos investidores, que temem perder um eventual rally na Bolsa.


