Venda dos mercados municipais gera polêmica entre comerciantes
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Gisele Mendonça<br>Reportagem Local 
Apesar de a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) ter anunciado que a licitação para a venda dos boxes dos mercados municipais - localizados nos jardins Kennedy, Guanabara e Shangri-lá - sai no prazo de 60 dias, alguns comerciantes ainda têm expectativa que a Prefeitura reavalie a situação. Os representantes do Shangri-lá, por exemplo, planejam agendar reunião com o prefeito Barbosa Neto (PDT) para propor a renovação do contrato por mais dez anos.
''Contamos com o bom senso do prefeito, pois estamos aqui há 40 anos. O mercado está em plena atividade e hoje é, praticamente, um ponto turístico da cidade'', afirma Antonio Furuta, síndico do condomínio e presidente da comissão dos permissionários do Mercado Municipal do Shangri-lá, localizado na Zona Oeste. ''No caso da venda, sabemos que por lei teria que ser aberta licitação, mas isso é inviável para a gente. Ele (Barbosa) se comprometeu a analisar a nossa situação'', completa.
Segundo Furuta, a taxa permissionária considerada baixa é justificada pelo fato de os comerciantes bancarem a manutenção do mercado. O comerciante diz que nos últimos anos foram investidos mais de R$ 200 mil no imóvel, envolvendo pintura, as partes hidráulica e elétrica, troca do piso e reforma dos banheiros.
Trabalhando há 33 anos no Shangri-lá, a comerciante Natalina de Jesus Mendonça diz estar ''triste'' com a situação. ''Fomos pegos de surpresa. Ajudamos a construir esse patrimônio histórico. Isso aqui não é só um mercado, é um ponto turístico, vem gente do mundo inteiro. E somos nós, os próprios comerciantes, que trabalhamos. Não guardamos dinheiro na poupança, lutamos como qualquer trabalhador. Fazemos parte da tradição e merecemos continuar trabalhando'', diz Natalina, que durante anos teve uma quitanda e há alguns meses mudou de ramo, abrindo uma cafeteria.
Para Maria Cristina Carvalho, que há 17 anos tem uma loja de artesanato no Shangri-lá, a intenção da Administração Municipal não está clara. ''Qual seria o verdadeiro motivo da venda? Não é justo com as pessoas que trabalham aqui há tanto tempo. E, mesmo que a prioridade na compra dos boxes fosse dos comerciantes, o problema é que nem todos teriam capital para isso'', observa.
Um comerciante que não quis se identificar afirma estar ''indignado''. ''Em São Paulo, o marco da administração da Marta Suplicy foi a reforma do mercadão municipal. Há recursos do governo federal para isso. Com tanto político de Londrina em Brasília, ninguém vai atrás. Pelo contrário, todo prefeito que entra quer destruir esse patrimônio'', desabafa.
Permissionária há cinco anos de dois boxes no mercado do Jardim Kennedy (Zona Oeste), Sandra Galindo diz que entende a postura do município em relação à venda dos imóveis, mas acha que os comerciantes que ocupam os espaços hoje deveriam ter prioridade na aquisição. ''Primeiro deveriam oferecer para quem está aqui e depois abrir licitação para as salas cujo permissionário não tem interesse'', defende ela, que tem uma loja de vinhos. A comerciante alega que investiu R$ 30 mil na reforma dos espaços e ajudou a valorizar o mercado. Ela diz ter receio de que apenas um investidor ganhe a licitação dos boxes. ''Quem garante que um desses grandes (imobiliaristas) não vai chamar vários amigos para concorrer (na licitação)?'', questiona.
Alexandre Guimarães, permissionário de três boxes no mercado do Jardim Guanabara (Zona Sul), espera que o processo de licitação inclua cláusulas específicas para garantir que os mercados não sejam descaracterizados. ''Seria interessante que a pessoa que assumisse tivesse histórico na atividade daquele box. O que não pode acontecer é fazer disso um negócio imobiliário'', diz. ''As grandes capitais investem nos seus mercados municipais. Em Londrina, a Prefeitura não investe, mas a iniciativa privada já faz isso''.


